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Adélia Prado é homenageada na III Bienal do Livro

by Portalagora

Flávio Flora

A divinopolitana Adélia Prado é uma das homenageadas na Terceira Bienal do Livro e da Leitura, que acontece em Brasília, desde sexta e prossegue até domingo próximo, 30. Na abertura, com o auditório Nelson Rodrigues lotado de personalidades do mundo intelectual nacional e internacional, além de escritores e artistas da cidade, diplomatas, imprensa, membros do governo, ela foi aplaudida.

— Adélia é hoje um dos maiores nomes da literatura brasileira em todos os tempos — afirmou o diretor geral da Bienal, Nilson Rodrigues, na saudação à autora.

Convicções e ideias
A noite começou com uma encenação teatral da atriz Tereza Padilha, a partir de poemas da homenageada. Em seguida, Adélia tomou a cena, colocando o auditório em estado de silêncio para ouvi-la, em sua beleza e profundidade falar sobre amor.

— Resolvi falar de algumas convicções e ideias dentro da experiência daquilo que eu acho que vocês esperam de quem faz poesia — anunciou-se.

Depois passou a defender a experiência do deserto, do sofrimento, dos caminhos de crescimento individual.

Na sequência, trouxe à cena excertos de Guimarães Rosa (“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um remédio contra a loucura”). Lembrou de Riobaldo, do romance “Grande Sertão: Veredas”, para quem viver é muito perigoso, e acrescentou que “respirar é difícil.

— Estar vivo é um processo carregado de espanto, vicissitudes e maravilhas. O que nos diferencia é um prêmio e um calvário — completou.

Dívidas cármicas
A poeta acredita que o ser humano já nasce devedor de uma conta, que deve ser paga com sangue, suor e lágrimas, sendo condição humana “que faz de nós seres antinaturais por natureza. Mas, só nós podemos nos espantar e recusar a nossa condição”.

E assim, se passaram mais de 60 minutos, em meio a risos, lágrimas, emoções, aplausos e silêncio de expectativa. Às vezes, citando Jung, Freud e Tolstoi, outras lembrando o BhagavadGita, a Bíblia, Adélia conduzia a plateia a uma elevada reflexão sobre o amor e o ser humano:

— O desejo humano é tão infinito que para o desejo do nosso coração o mar é uma gota. É o nosso desejo infinito de felicidade. O amor de alguém confere existência ao outro. O outro é o espelho no qual eu encontro minha significação. A noite escura da alma é quando a gente não encontra sentido na vida. Amar é uma coisa tão grandiosa, que é melhor amar do que ser amado. Amar-se a si mesmo e ao outro — descreveu

Despertando forças internas
Em suas apresentações Adélia tem mostrado um outro lado de sua intelectualidade, o da prosa bem construída, harmonizando sabedoria e elevada espiritualidade com as dores de um mundo violento e carente de amor.

— São essas forças internas, que convivem com o mal em nós, que nos permitem fazer as nossas escolhas. Quando percebo o mal no outro é porque reconheço o mal, pois já o vi em mim —alertou.

Leveza e amizade
Adélia Prado recebeu o troféu de homenageada das mãos do cartunista e escritor Ziraldo, que lhe disse algumas palavras de afeto e usou o exemplo de vida de Adélia para falar de Shakespeare.

— Há quem diga que Shakespeare não poderia ter escrito aquelas obras que demonstram tanto conhecimento da alma humana sendo um homem do interior. Mas se Adélia consegue ter essa profundidade sem nunca ter saído da linha do trem, sem deixar Divinópolis, Shakespeare também podia. Eu amo a Adélia — afirmou.

A escritora, sem perder a graça, respondeu rápido:

— Mas eu já sou comprometida — respondeu dando lhe um puxão de orelha.

  

 

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