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Desigualdade de renda volta a recuar mas desemprego cresce

by Portalagora

 

Da Redação

 

A notícia parecia boa, à primeira vista: a desigualdade de renda voltara a recuar em 2015, em plena economia mergulhada em uma das piores recessões da história. Olhando mais fundo nas informações do IBGE, percebe-se que essa redução de disparidade ocorreu por fatores negativos, em um contexto em que todas as classes sociais ficaram mais pobres.

 O recuo do rendimento médio mensal foi de 5,4%, isto é, de R$ 1.845 para R$ 1.746, afetando tanto aos valores recebidos pelos trabalhadores como os rendimentos de aposentados e de pessoas que vivem de rendas financeiras e de aluguéis. Em 11 anos, esta é a primeira queda.

Segundo IBGE (2016), a metade mais rica dos brasileiros sofreu uma queda maior dos rendimentos do que os da metade mais pobre, o que pode ser resultado da deterioração do mercado de trabalho, que abalou o emprego formal (com carteira assinada) e o industrial – considerado a elite dos trabalhadores.

Na avaliação de especialistas em distribuição de renda, a desigualdade no País vem caindo sistematicamente desde 2001, com o aumento da renda da base da pirâmide, em velocidade superior à do topo. Entretanto, há especialistas não pensam assim, como a gerente da pesquisa do IBGE, Maria Lúcia Vieira:

— A queda da desigualdade é boa quando melhora a renda para todos. Aqui [em 2015], caiu para todos. Está igualando todo mundo no pior. Não melhorou a situação das pessoas — afirma.

 Seguindo esta linha de análise, ao se dividir a população em décimos de renda, percebe-se que os 10% mais pobres tiveram a maior perda, o que pode ser um indício de que a pobreza se intensificou, pois seu rendimento médio foi de R$ 200, bem inferior ao salário mínimo do ano passado (R$ 788). Os que ganham o salário mínimo e que se beneficiaram do reajuste de 8,8% do piso de 2015, tiveram a menor queda (-1%).

 Os 10% mais ricos, por sua vez, tiveram uma perda de 6,6% nos rendimentos médios mensais que, nesta camada era de R$ 7.047 em 2015. A queda foi mais acentuada no 1% mais rico, cujo rendimento era de R$ 20.048, que perdeu 6,9%.

 

Piora

 

A queda dos rendimentos verificada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, foi mais intensa do que o recuo do PIB, que encolheu 3,8% no ano passado. Os 10% mais pobres se apropriaram de 1,2% dos rendimentos, repetindo a cifra de 2014. Os 10% mais ricos ficaram com 40,4% dos rendimentos, recuando ante 2014, quando ficaram R$ 40,9% do total.

Os dados da Pnad foram coletados em setembro de 2015, quando a atual recessão havia completado um ano e meio, segundo o Comitê de Datação de Ciclos da FGV.

 O mercado de trabalho no ano passado já mostrava sinais de piora, que se intensificou neste ano a um ponto muito preocupante, se comparado ao ano passado.

Em 2015, os desempregados passavam pouco de 10 milhões de pessoas (alta de 38%), o que elevou a taxa de desemprego de 6,9% (2014) para 9,6% (2015). O número de pessoas ocupadas decresceu 3,8 milhões ficando em 94,8 milhões (IBGE).

Em 2016, o total de desocupados alcançou o nível recorde de 12,042 milhões de pessoas. O resultado significa que há mais 2,971 milhões de desempregados em relação a um ano antes, o equivalente a um aumento de 32,7%.

 Os pesquisadores do IBGE avaliaram melhores salários e o mais elevado grau de formalização que ocorrem com os empregos industriais foram os mais abalados. O emprego formal recuou com força, caindo 5,3%, o mesmo ocorrendo com os trabalhadores domésticos (-2,5%). Só os trabalhadores informais que aumentaram (3%) e os servidores públicos (2,23%)

Com a deterioração no mercado de trabalho, o rendimento das pessoas ocupadas recuou 5%, de R$ 1.950 para R$ 1.853, já descontada a inflação.

 

 

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