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Divinopolitana que nasceu com doença rara corre atrás dos sonhos

by Portalagora

Jorge Guimarães

O que somos capazes de fazer, e quais obstáculos estamos dispostos a enfrentar quando há um objetivo a ser conquistado? Definir metas claras, acreditar em si mesmo, ter vontade de aprender e facilidade para se adaptar, perseverar e aproveitar todas as oportunidades. Sonhar é preciso, mas arregaçar as mangas para superar dificuldades e atingir os objetivos profissionais é crucial.

Estes foram alguns dos questionamentos e metas traçadas por uma divinopolitana que tem em sua alma a vontade de vencer lutando por conquistas no seu dia a dia. Assim a palavra superação faz parte da que nasceu com Osteogénese Imperfeita, doença também conhecida como “ossos de vidro”.

— Nasci uma criança perfeita, mas quando eu tinha 22 dias de vida, minha mãe tinha acabado de me trocar e foi me retirar da cama, quando dei um grito. Ela percebeu que meu braço torto. Minha mãe me levou ao médico muito assustada, queria me dar para minha avó.  Ai o médico pediu calma a ela, pois já tinha dois filhos, e que tudo indicava que eu tinha uma deficiência e era preciso diagnosticá-la — lembra Denise.

Há época de seu nascimento, eram muito vagos os conhecimentos sobre a doença o que levou Denise a ser engessada diversas vezes, o que atrapalhou o crescimento de suas pernas, que foram os membros mais afetados, como o fêmur e a tíbia.   

Infância

Denise passou sua infância, praticamente em um hospital. Eram raros os momentos em que ela ficava em casa, e na escola repetiu de ano várias vezes.

— No primeiro ano que eu fiz, na primeira série, a professora me trancava dentro da sala de aula com medo das outras crianças me machucarem. Depois que os meninos foram tomando consciência do fato, eles na horta do recreio faziam tipo uma rodinha em volta de mim para me proteger das outras crianças —relembra emocionada.   

Cirurgias

Nem mesmo as dificuldades, nunca a desanimaram. Apesar das fraturas serem constantes, Denise sempre seguia firme com seu propósito de lutar pela vida.

— Comecei a ter várias fraturas, uma atrás da outra quebrava os braços, as duas pernas de uma vez, às vezes faltando uma semana para tirar o gesso da perna, eu quebrava de novo dentro do gesso — comenta.

Por causa da doença, Denise já teve mais de 150 fraturas e passou por 22 cirurgias, todas de correção. Pois quem tem a doença costuma entortar os membros, onde houve a fratura.     

Tratamento

Há dois anos, Denise estava brincando no andador e pisou em falso numa rampa, vindo fraturar a perna. Na época, o médico a encaminhou para um tratamento em São Paulo, pois em Minas Gerais não existia.

— Agora tem um ano e meio que estou lá tratando, mas muita coisa eles estão analisando. Mas meus exames estão todos normais, porém, fui encaminhada para outra equipe médica para a realização de novos exames. No momento, estou sendo assistida pelo médico Meirelhes, especialista na área de osteometabólicas, que já me encaminhou para a área infantil de ortopedia, então como os médicos são novos, eu não gravei os nomes  completos deles ainda, pois só fui lá uma vez — relata a divinopolitana.

Profissional

Atualmente, Denise realizou seu grande sonho de se tornar profissional da área da beleza. E como todo brasileiro está correndo atrás de trabalho.

— Concretizei um grande sonho de me tornar uma maquiadora profissional. Agora depois de preparada, estou correndo atrás para fazer o meu nome e realizar meu sonho que é trabalhar nesta área. Você pode achar engraçado, mas até em funerária eu estou procurando emprego, só sei que a única coisa que eu não quero é ficar sem trabalhar. Faço algumas maquiagens na minha casa, no bairro que eu moro, no Candidés, é bem humilde, bem simples, inclusive eu desmarquei duas maquiagens porque quando eu falo o endereço, a pessoa fala que é muito longe — explica Denise.

Batalhar

Mesmo diante das dificuldades Denise vai em busca de seu ideal, mesmo recebendo alguns nãos. Mas depois de anos de fraturas hoje em dia os ossos estão mais fortes, mas nunca vai ser um osso de uma pessoa normal, o que já é uma vitória.   

— Já tentei arrumar emprego em salões de beleza, mas não consegui. Mas, até penso que as pessoas ficam com receio de contratar uma pessoa que é deficiente física. O que eu quero é que as elas possam ver que eu sou capaz, eu posso, que a limitação na realidade esta na mente e não no físico, porque quando a pessoa olha para mim eu imagino que elas pensam que será muito difícil para ela. Mas, para mim é um prazer fazer o que eu gosto, é um prazer ir às casas das pessoas, mas o difícil é a locomoção. Peço realmente uma oportunidade a todas as pessoas mesmo que seja para conhecer meu trabalho — finaliza Denise.

 

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