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Na cultura, ‘Casarão’ iniciou deu início a povoação do Arraial do Espírito Santo

Conheça a história do primeiro patrimônio tombado em Divinópolis; imóvel importante nestes 112 anos 

by JORNAL AGORA

Ígor Borges

Muita história foi contada nestes 112 anos de Divinópolis, seja na política, saúde, educação e tantos outros temas importantes. Culturalmente falando, é necessário proteger e guardar itens que relembram parte desta história. 

Em 2024, a cultura divinopolitana recebeu uma grande notícia: a reinauguração do  “casarão”, após sete anos fechado. O imóvel, construído em 1830, abrigou diversos grupos importantes e também várias instituições, até ser tombado em 1988. 

Com a volta de uma das estruturas mais importantes da cultura da cidade, historiadores e admiradores se sentem realizados em poder fazer parte da história do “sobrado”. 

História e cultura

O sobrado, popularmente conhecido como casarão, fica localizado próximo a Catedral do Divino Espírito Santo. Construído em 1830, no antigo largo da Matriz do Arraial do Espírito Santo do Itapecerica, onde era a residência do Capitão Domingos Francisco Gontijo. O local abrigou o primeiro presidente da Câmara de Divinópolis, Antônio Olímpio de Morais, até mesmo depois da emancipação do município.

Em 1906, o imóvel foi também a primeira sala de cinema na cidade, além de um posto de saúde, Cúria Paroquial, Colégio Seráfico, convento dos frades e sede do Comissariado dos Franciscanos Gorcomienses (Holanda), que moraram no local até 1926.

Em 1937 a congregação das Filhas de N. S. do Sagrado Coração assumiu a Escola Normal Dr. Mário Casadanta. Daí até 1978, sediou outras três instituições de ensino, quando foi, mais uma vez, fechado e seriamente depredado.

Uma lei declarou que o casarão era de interesse histórico e artístico do município em 1982, mesmo assim, parte do sobrado foi demolida com o pretexto de urbanizar a praça. A partir de 1985 é que o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) supervisionou a reforma.

O histórico sobrado passou a abrigar o Museu Histórico de Divinópolis, em 31 de maio de 1986. Em 15 de dezembro de 1988, “o casarão” tornou-se o primeiro bem cultural tombado de Divinópolis, através do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico (Comphap). 

Em 1995, o velho sobrado recebeu uma grande reforma e em 30 de agosto de 2014 através de uma pesquisa do então diretor, o escritor e historiador Welber Tonhá, foi feita uma pesquisa e raspagem para identificar a cor original. Com isso, foi retomada a cor azul em suas portas e batentes.

Welber conta que, na época, algumas paredes e portas tinham um desgaste natural e que podia-se perceber várias camadas de tintas diferentes do durante o tempo. 

— Fizemos um estudo e a raspagem da madeira para chegar à cor mais próxima da primeira que existiu ali. E foi esse tom de azul. Com isso, só que não era esse azul, porque na época as tintas eram à base de cal, corante, o que não pode mais. Então nós fomos pesquisar qual era o número da tinta, e fomos a uma empresa de tinta para entender. Aí conseguimos chegar neste código de cor — comentou.

O historiador se sente honrado em fazer parte da história do local.

— Eu fico muito feliz de ter sido uma luta, uma conquista nossa, e eu não tenho pretensão nenhuma política, então eu posso falar. Me agrada muito ter sido pai da criança — completou.

Acervo do museu

Atualmente, o museu está em processo de transporte de seu acervo estimado em mais de mil peças. Este montante possui uma grande expressividade de objetos que remetem à história da cultura divinopolitana e da região. 

— O acervo é muito diverso, com expressividade em objetos de saúde, música, educação, representações ligadas à culinária antiga e também da rural — revelou o gerente de Memória e Patrimônio, Faber Clayton.

Ele comenta que o acervo foi feito de diversas formas. Em que familiares levavam objetos que remetiam ao passado, e muitas vezes doavam estes itens para o museu.

Entre as mais de mil peças, de todos os períodos e tamanhos, Faber cita o “Cristo Crucificado”, que é um objeto que compunha a Igreja Ancestral do Morro da Bonita, que depois foi demolida. 

— O Cristo Crucificado é um item do século XIX. Feito de madeira, é um objeto até simples, mas esses traços rústicos o deixam muito singular, se comparado com os tempos de hoje — citou. 

Ele ainda menciona a presença de algumas armas, que provavelmente seriam de origem rural, em que donos de propriedades as manuseiam como forma de proteção. Em média, elas são do final do século XIX e começo do século XX. 

— Estes itens do universo masculino, possuem muita singularidade, pois são diferentes das formas de carregar. Algumas armas levam o nome de garrucha, em que os projéteis são diferentes, com muita pólvora — lembrou Faber.

Interdição e reinauguração 

O casarão foi interditado em 2017, por apresentar falhas na estrutura. Na época, a Defesa Civil informou que ele corria sério risco de desabamento. Ele ficou fechado então, por sete anos. Depois de muitas cobranças dos apreciadores da cultura da cidade, um plano de restauração foi iniciado no final do ano passado. Assim, o local poderia voltar a ser a sede do museu histórico do município. 

A Prefeitura informou que as peças de madeira foram restauradas e as instalações hidráulicas substituídas. Um novo reboco foi feito e o telhado também foi restaurado. No fundo da edificação, foi construído um anexo e o casarão ganhou acessibilidade, com a construção de um elevador e de quatro banheiros acessíveis.

Os recursos para executar a restauração foram financiados através do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Para Faber Clayton, o espaço é um dos mais importantes da história da cidade. 

— Casarão recuperado demonstra que a história é preservada em Divinópolis! A edificação testemunhou a história da cidade e momentos únicos. Essa é a única edificação que traz traços da mão de obra escrava na sua construção — comemorou. 

O secretário de Cultura, Diniz Borges, destacou o empenho do município para concluir a restauração. 

— A restauração do casarão da Praça Dom Cristiano, hoje Museu Municipal, é para a Administração um grande ganho, visto que Divinópolis merece ter de volta esse grande patrimônio cultural e histórico — destacou.

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