Divinópolis supera média nacional na vacinação contra o HPV

Da Redação
Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis (Semusa) apontam que o Município supera a média nacional, na vacinação contra o HPV. A cobertura no Município alcançou 83,10% no público feminino e 70,57% no masculino. Maior também do que Minas Gerais, que de 2024 e de 2025, teve a cobertura vacinal contra o vírus entre crianças e adolescentes de 9 a 14 anos de 81,69% no sexo feminino e 69,68% no masculino. Na cidade, foram aplicadas 2.129 doses de vacinas contra o HPV entre pessoas de 5 a 54 anos.
O relatório gerencial detalha a distribuição por faixa etária: 1.317 doses em crianças de 5 a 9 anos; 607 em jovens de 10 a 14 anos; 26 em adolescentes de 15 a 19 anos; 11 em pessoas de 20 a 24 anos; 46 em adultos de 25 a 29 anos; 38 na faixa etária de 30 a 34 anos; 41 de 35 a 39 anos; 34 em adultos de 40 a 44 anos; 6 em indivíduos de 45 a 49 anos; e 3 em pessoas de 50 a 54 anos.
Câncer
O papilomavírus humano (HPV) é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de colo do útero, além de estar relacionado a outros tipos de tumores e ao surgimento de verrugas genitais. A vacinação contra o vírus é considerada a estratégia mais eficaz de prevenção. No Brasil, os últimos anos registraram avanços na imunização, especialmente entre crianças e adolescentes, mas os índices ainda estão abaixo do patamar considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com dados oficiais, o país alcançou, em 2024, mais de 82% de cobertura vacinal entre meninas de 9 a 14 anos, superando em muito a média global, que é de apenas 12%. Entre os meninos da mesma faixa etária, a adesão chegou a 67%. A ampliação no público masculino representa um marco importante, já que a imunização protege contra diversos tipos de câncer associados ao HPV, como os que atingem o ânus, o pênis, a garganta e o pescoço.
Vacinação
Uma das medidas que contribuiu para a ampliação da cobertura foi a mudança no esquema vacinal adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2024, o Brasil passou a aplicar a vacina contra o HPV em dose única para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Antes, o esquema incluía duas aplicações. A decisão segue recomendações internacionais e faz parte do compromisso assumido junto à OMS para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública até 2030, meta que prevê alcançar pelo menos 90% de cobertura vacinal entre meninas.
Apesar da alteração, algumas exceções permanecem. Pessoas imunocomprometidas, como aquelas que vivem com HIV/AIDS, pacientes oncológicos e transplantados, continuam recebendo três doses, independentemente da idade. O mesmo se aplica a vítimas de violência sexual e a usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP) entre 15 e 45 anos. Já adolescentes vítimas de violência sexual entre 9 e 14 anos devem receber duas doses.
2025
Com o objetivo de alcançar adolescentes que perderam o período de vacinação de rotina, o Ministério da Saúde iniciou, em 2025, uma campanha específica para jovens de 15 a 19 anos. A iniciativa busca resgatar esse público e ampliar a imunização, mas os resultados parciais ainda são considerados baixos. Até agosto, apenas 106 mil adolescentes dessa faixa etária haviam sido vacinados, o que representa 1,5% do público-alvo estimado em 7 milhões.
A baixa adesão preocupa especialistas e entidades de saúde, já que a vacinação nessa faixa etária é fundamental para conter o avanço do câncer do colo do útero, um dos mais letais entre as mulheres brasileiras. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) alerta para a necessidade de acelerar o ritmo da campanha, sob risco de o país não cumprir o compromisso firmado em 2020, junto a outros 194 países, de eliminar a doença nas próximas décadas.
Enquanto o Brasil enfrenta dificuldades para elevar seus índices, países como Austrália, Escócia, Suécia e Reino Unido já apresentam avanços significativos. A Austrália, por exemplo, está prestes a se tornar o primeiro país do mundo a eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública, resultado de um trabalho contínuo de vacinação em massa e rastreamento regular da população.
No Brasil, a cobertura vacinal entre meninas de 9 a 14 anos, em 2025, foi de cerca de 77%, abaixo dos 90% estabelecidos pela OMS como requisito para eliminar o câncer de colo do útero.
Enquanto países desenvolvidos já registram queda significativa nas taxas de câncer de colo do útero, o Brasil ainda convive com números elevados. A ginecologista da Avacci, entidade filantrópica de combate ao câncer, Tania Oliveira, reforçou a importância de se detectar precocemente.
— Em países avançados, onde as pessoas têm mais acesso à saúde, a taxa de câncer de colo do útero é baixa. No Brasil, ainda é alta, infelizmente. E isso poderia ser evitado com a detecção precoce da doença, por meio de exames como o Papanicolau e o DNA-HPV, que identifica até quatro vezes mais. Essa estratégia reduz a incidência do câncer e, consequentemente, o número de óbitos — afirmou
Avanços no PNI
Apesar dos desafios, o país conseguiu reverter, em 2023 e 2024, a tendência de queda nas coberturas vacinais. Dados apontam melhora em 15 das 16 vacinas oferecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), o que inclui a do HPV. A retomada de campanhas nacionais, a vacinação em escolas e a adoção de estratégias regionais têm sido fundamentais nesse processo.
Entre 2022 e 2024, a cobertura vacinal contra o HPV em meninas cresceu de 78,42% para 82,83%. Já entre meninos, a evolução foi ainda mais significativa, passando de 45,46% para 67,26% no mesmo período. No total, o SUS já distribuiu mais de 75 milhões de doses desde 2014, consolidando uma das políticas públicas mais abrangentes do mundo na prevenção contra o vírus.
Riscos da baixa vacinação
O HPV é transmitido principalmente pelo contato sexual, mas também pode ser disseminado por meio do contato direto com a pele ou, em situações mais raras, pelo compartilhamento de objetos pessoais. A infecção pode ser assintomática ou provocar manifestações como verrugas genitais. Em casos de tipos de alto risco, pode levar a alterações celulares no colo do útero, que se não tratadas podem evoluir para câncer.
De acordo com Tania Oliveira, a vacinação antes do início da vida sexual é considerada essencial.
— A vacina contra HPV tem que ser implementada. Ela atinge a maioria dos tipos de HPV e tem que ser feito antes da pessoa iniciar a vida sexual. Então teria que ser feito nas escolas, para os meninos e para as meninas, antes de iniciar a vida sexual — afirmou.
Confira a reportagem:
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