Cadeiras ocupadas parcialmente, vozes dispersas e atenção mínima: essa é a rotina do Plenário da Câmara de Divinópolis em dias de reuniões ordinárias. Quase todas as sessões repetem o mesmo padrão: alguns chegam atrasados, outros mal permanecem, conversam sobre temas alheios à pauta ou simplesmente estão ausentes, mesmo quando temas de grande relevância estão em discussão. Enquanto isso, cidadãos que usam a Tribuna Livre, por exemplo, tentam expor ideias e preocupações, muitas vezes em vão, diante da desatenção e da dispersão de quem foi eleito para representar a comunidade. Não é um episódio isolado, é rotina, e cada sessão assim deixa claro que o respeito à função e ao público é frequentemente ignorado.

O exemplo mais recente dessa situação aconteceu na reunião desta quinta-feira, 7, durante a fala sobre o tema “Família e Jogatina Não Combinam”, que abordava os impactos das apostas na vida familiar e social. Um assunto de extrema relevância, envolvendo saúde, educação, economia doméstica e segurança. No entanto, grande parte dos vereadores parecia mais preocupada com conversas paralelas ou distrações, o que levou a cidadã que estava na tribuna a parar sua fala e “implorar” para que prestassem atenção. Em vão. Tanto que ela não usou o tempo todo que é de 10 minutos. Claro que existem exceções, parlamentares que acompanham, ouvem e participam, mas eles seguem sendo a minoria em meio a um plenário frequentemente disperso.

O problema não é apenas falta de atenção, é a demonstração de um descompasso entre a função que a Câmara deveria exercer e a prática cotidiana. A Casa do Povo, espaço destinado a decisões de interesse coletivo, transforma-se em um palco de descaso quando discussões relevantes são negligenciadas. Cada ausência ou minuto de desinteresse representa menos fiscalização, menos transparência e menos compromisso com a população que confiou seus votos.

São incontáveis as vezes em que as reuniões precisam ser paradas por falta de quórum, começando uma verdadeira correria em busca de algum vereador para que a sessão não seja interrompida — e a vergonha, para quem observa, só aumenta. O problema também está no recado que essas atitudes passam: a “fama” de descompromisso se consolida, e a percepção da população sobre a seriedade da Casa se deteriora cada vez mais.

Episódios como esse se repetem com frequência. Projetos que impactam famílias, políticas públicas ou a vida de crianças e adolescentes são tratados com indiferença. Quando a rotina do plenário é marcada por esse descaso, a população percebe que o espaço não é visto como local de compromisso e seriedade, mas como um cenário formal, quase simbólico, sem atenção real aos problemas da cidade.

É hora de lembrar que mandato público é serviço, não privilégio. Participar ativamente das sessões, ouvir a população, debater com atenção e tomar decisões conscientes não é opcional — é obrigação de quem ocupa uma cadeira na Câmara. A sociedade merece mais.

Enquanto não houver mudança, a Casa do Povo continuará sendo um espaço onde o ridículo beira o cotidiano, temas importantes são ignorados e o interesse coletivo fica em segundo plano. Quem representa o povo precisa honrar a confiança recebida, lembrando que cada sessão é oportunidade de transformar vidas, e não de desperdiçar tempo com descaso e distrações.

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