Divinópolis voltou a ser palco de movimentações que reverberam em todo o estado. O encontro do PL, presidido em Minas Gerais pelo deputado federal Domingos Sávio, começa a traçar um caminho para 2026. O partido, um dos maiores do País, tem muitas definições pela frente. A possibilidade de Nikolas Ferreira disputar o governo de Minas surge como um trunfo e, ao mesmo tempo, um dilema. O jovem deputado é um fenômeno de votos e já se mostrou indeciso com o tema, sendo um relevante “puxador” de votos para as cadeiras no Congresso. Enquanto isso, Domingos Sávio também terá que fazer sua própria escolha. A reeleição à Câmara é um caminho mais natural, mas o Senado, que abrirá duas cadeiras no próximo pleito, é tentador. Seja qual for a escolha, o que se desenha é uma eleição intensa e estratégica, com Divinópolis, mais uma vez, no centro das discussões. Em 2022, Nikolas foi o deputado federal mais votado em Divinópolis, com cerca de 21 mil votos, enquanto Domingos foi o terceiro, com 16 mil. Cenário incerto que ainda exige muita análise no xadrez político. 

Chega de fios

Na esfera municipal, o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) tenta resolver um problema que se arrasta há anos: os fios soltos que enfeiam e ameaçam a segurança da população. Um mutirão com as empresas de telecomunicação começou ontem pela rua Castro Alves. A iniciativa é positiva, mas chega tardiamente. A poluição visual e os riscos gerados por essa desorganização são reflexos de uma cidade que cresce, mas ainda carece de organização. Infelizmente, muitas empresas só mudam de postura quando a situação ameaça doer no bolso. Resolver o problema dos fios é, simbolicamente, tentar “desenrolar” uma Divinópolis mais moderna e funcional.

Minas indecisa 

No cenário estadual, Minas Gerais segue presa à própria dívida, hoje estimada em cerca de R$ 170 bilhões com a União. O governo busca aderir ao Propag, programa de pagamento de débitos dos estados. A proposta de federalizar patrimônios reacende a polêmica em torno do Hospital Regional de Divinópolis. Segundo revelado pela deputada estadual Lohanna (PV) e pela vice-prefeita Janete (Avante), o governador Romeu Zema (Novo) pretende transferir o  hospital à União, como compactuado anteriormente, porém abatendo o valor do terreno e da estrutura da dívida. O problema é que esse jogo de empurra pode adiar, mais uma vez, o início do funcionamento da unidade de saúde — uma novela que já dura mais de uma década. Em ano pré-eleitoral, o impasse tende a se acirrar. O hospital, que deveria ser sinônimo de esperança, acaba se tornando moeda política entre os governos estadual e federal. E, como sempre, quem paga o preço é a população.

Segurança desvalorizada

Por fim, o próprio Zema, que já se lançou como pré-candidato à Presidência, tem mais um incêndio para apagar em casa. A Assembleia Legislativa (ALMG) volta a discutir a recomposição salarial dos servidores da segurança pública, cuja defasagem, segundo o deputado Sargento Rodrigues (PL), chega a 44,79%. O governador, que alega limitações financeiras, vê crescer o descontentamento de uma categoria essencial, que tem se sentido desvalorizada e desassistida. E é difícil discordar: de nada adianta vender uma imagem de eficiência administrativa se quem garante a segurança do Estado trabalha sob  pressão e condições precárias.

Na mira 

E não é só a insatisfação da segurança pública e outras categorias que podem atrapalhar as intenções de Zema. A decisão do Executivo Estadual ao impor sigilo a documentos da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) está na mira do bloco de oposição na Assembleia Legislativa (ALMG). Deputados trabalharão em três frentes para ter acesso às informações por entenderem que há um interesse em esconder o preço da estatal para não inviabilizar a agenda privatista do governo. 13 documentos da Codemig foram se tornaram sigilosos pelos próximos 15 anos, na última terça-feira, 7. Entre as informações estão relatórios assinados por bancos com reputação internacional na avaliação de empresas. o deputado Professor Cleiton (PV) vai tentar, no âmbito estadual, quebrar o sigilo através de um requerimento dirigido ao governador e do acionamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). O impasse se dá porque a Codemig é um dos principais ativos que o Estado pretende incluir nas negociações do Propag. O plano de refinanciamento para os Estados foi apresentado pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aprovado no Congresso no fim de 2024 e regulamentado em abril deste ano. Pela movimentação, os blocos opositores prometem não deixar barato. Assunto delicado que pode desgastar ainda mais a imagem do governador. 

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