Durante o tratamento do câncer, a alimentação assume um papel ainda mais relevante. Além de ajudar a fortalecer o sistema imunológico, ela pode reduzir efeitos colaterais e melhorar a qualidade de vida. No entanto, é comum surgirem dúvidas, crenças populares e recomendações não embasadas que confundem mais do que orientam.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, alimentar-se adequadamente é um passo importante para o sucesso do tratamento de pacientes com câncer. Uma dieta equilibrada e saudável pode ajudar a diminuir o risco de desenvolver câncer. As pessoas que estão passando por tratamento podem ter uma ampla variedade de sintomas, como náuseas, perda de apetite e fadiga, mas uma alimentação saudável pode ajudar a aliviar esses sintomas. A dieta ideal deve ser rica em vegetais, frutas, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis, enquanto deve se evitar alimentos processados e açúcar refinado. Comer bem ajudará você a permanecer forte, fornecendo ao corpo os nutrientes de que precisa.

A alimentação realmente interfere no sucesso do tratamento oncológico?
Uma alimentação adequada tem impacto direto na forma como o corpo responde ao tratamento do câncer. Quando o paciente está bem nutrido, ele tende a tolerar melhor os efeitos da quimioterapia, radioterapia ouimunoterapia, além de apresentar menor risco de infecções e interrupções no cronograma terapêutico.

Açúcar “alimenta o câncer”? Entenda por que isso é um mito
Essa é uma dúvida comum entre pacientes e familiares. A ideia de que o açúcar seria um combustível direto para o crescimento do tumor não se sustenta do ponto de vista científico.
Todas as células do corpo – inclusive as saudáveis – utilizam a glicose como fonte de energia. A glicose é sempre produzida a partir de um processo chamado gliconeogênese, que transforma gorduras e proteínas em glicose, na falta de carboidratos. Mesmo dietas com zero carboidratos, como a cetogênica, não zeram a quantidade de glicose (sempre teremos ao mínimo 60 mg/dL se dosarmos no sangue em jejum). Cortar carboidratos por completo pode comprometer o aporte energético e favorecer a perda de peso e massa muscular, o que é prejudicial durante o tratamento. Açúcar livre, em grandes quantidades, pode favorecer picos de insulina, aumento da inflamação sistêmica, obesidade e piora da diversidade do microbioma intestinal. Estes fatores podem sim aumentar o risco de câncer no longo prazo e prejudicar o tratamento.
Dessa forma, o mais indicado é reduzir o consumo de açúcares simples (refinados) (como doces e refrigerantes) e priorizar fontes saudáveis de carboidrato, como frutas, legumes, arroz integral e aveia, contexto nos quais o açúcar está em formas mais complexas — portanto de digestão mais lenta — e entremeado em fibras, que melhoram a saúde intestinal e promovem a saciedade.

Como a alimentação pode ajudar a aliviar os efeitos colaterais do tratamento?
Durante o tratamento oncológico, é comum enfrentar sintomas como enjoo, alterações no paladar e falta de apetite. A alimentação pode ser uma aliada importante nesse momento — desde que adaptada às necessidades de cada pessoa. Veja algumas recomendações:
Para náuseas: alimentos frios, secos e com cheiro suave (como frutas, sucos cítricos, pães torrados);
Para alterações no paladar: uso de temperos naturais como limão, hortelã, salsinha, canela, cardamomo e gengibre pode ajudar a recuperar o sabor;
Para perda de apetite: dividir as refeições em porções menores ao longo do dia e incluir alimentos calóricos e nutritivos, como azeite, castanhas e abacate.
Suplementos e produtos naturais ajudam ou atrapalham?
Essa é uma área que exige atenção. Em alguns casos, suplementos podem ser úteis, principalmente quando há deficiência confirmada de nutrientes como ferro ou vitamina D, ou quando a dieta não contempla quantidades suficientes de alguma substância, como vitamina B12 ou ômega-3.
No entanto, o uso indiscriminado de suplementos, especialmente antioxidantes em doses elevadas ou fitoterápicos (como cúrcuma, chá verde ou aloe vera),pode interferir na ação dos medicamentos oncológicos e prejudicar o tratamento.
Por que as proteínas são tão importantes durante o tratamento?
Durante o tratamento oncológico, o corpo passa por um alto desgaste. A proteína é essencial para preservar a massa muscular, manter o sistema imunológico funcionando e auxiliar na recuperação entre os ciclos terapêuticos.
A recomendação da Sociedade Americana de Nutrição Oncológica é de cerca de 1,2 a 2,0 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia. Boas fontes incluem:
• Carnes magras (frango, peixe)
• Ovos
• Leite e derivados
• Feijão, lentilha e grão-de-bico
• Suplementos proteicos, quando indicados

Quais alimentos devem ser evitados durante o tratamento?
Por conta da queda da imunidade, o paciente com câncer precisa ter cuidado redobrado com a higiene e a segurança alimentar. Alimentos com maior risco de contaminação devem ser evitados, como:
• Carnes, peixes e ovos crus ou mal passados (ex: sushi, carpaccio, maionese caseira, steak tartare, hambúrguer mal passado)
• Leites e queijos não pasteurizados
• Frutas e verduras mal higienizadas
É essencial seguir boas práticas de manipulação.
