Jorge Guimarães
Em meio às oscilações de preços que caracterizam o mercado brasileiro, influenciado por fatores sazonais, climáticos e econômicos, o consumidor começa a sentir um leve alívio no bolso, especialmente quando o assunto é alimentação. É que mostram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre a queda nos preços dos alimentos pelo quarto mês consecutivo no país. Os números indicam uma trégua após longos períodos de alta.
IPCA
Em setembro, o grupo alimentação e bebidas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, apresentou variação negativa de -0,26%, refletindo reduções em itens essenciais do dia a dia. Desaceleração que contribui para amenizar o impacto da inflação no orçamento familiar e traz um pouco mais de fôlego às compras de supermercado e ao setor de alimentação fora do lar.
Ainda que o cenário geral da economia siga marcado por instabilidades e reajustes em outros segmentos, o comportamento recente dos preços dos alimentos representa uma boa notícia para milhões de brasileiros. Pequenas quedas, repetidas por vários meses, fazem diferença concreta no dia a dia, especialmente para famílias de menor renda, que destinam boa parte de seus ganhos à alimentação.
— A expectativa agora é que esse movimento de alívio se mantenha nos próximos meses, ajudando a reequilibrar o orçamento doméstico e contribuindo para a recuperação do poder de compra do consumidor — avalia o economista Leandro Maia.
Itens
Entre os alimentos que mais contribuíram para o alívio recente no custo da alimentação dos brasileiros, destacam-se alguns itens bastante presentes na mesa das famílias. De acordo com dados do IBGE, tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%), batata (-8,55%) e arroz (-2,14%) registraram as quedas mais expressivas de preço.
Esses produtos, fundamentais na composição das refeições diárias, especialmente nas tradicionais preparações caseiras, tiveram redução significativa em setembro, ajudando a conter o avanço da inflação de alimentos e ampliando o poder de compra do consumidor.
A boa notícia vem em um momento de instabilidade econômica e climática, em que o custo dos alimentos costuma oscilar com frequência. Segundo Maia a melhora na oferta agrícola e o equilíbrio entre produção e demanda contribuíram para essa queda, refletindo diretamente nas prateleiras dos supermercados e nas feiras livres.
— Ainda que as variações de preço continuem sendo uma realidade do mercado, o recuo nesses produtos essenciais representa um respiro importante para o orçamento doméstico e um estímulo ao consumo consciente, especialmente para as famílias que sentem de perto o impacto das altas no custo de vida — pontua.
Em domicílio
No caso da alimentação no domicílio, os dados apontam que a deflação foi de -0,41% em setembro, sucedendo a queda de -0,83% registrada em agosto. Embora em ritmo mais moderado, o resultado mantém a trajetória de redução nos preços dos alimentos consumidos em casa, sinalizando um cenário de maior estabilidade para o orçamento das famílias.
Essa desaceleração reflete o comportamento de produtos importantes na cesta básica, que vêm apresentando recuos consecutivos desde o meio do ano. Mesmo com a volatilidade natural de alguns itens agrícolas, o equilíbrio entre oferta e demanda, somado ao avanço das colheitas em diversas regiões do país, contribuiu para conter a pressão inflacionária no setor.
— Para o consumidor, o resultado é percebido diretamente nas idas ao supermercado, com preços mais acessíveis e maior previsibilidade nos gastos mensais com alimentação. Apesar de o momento ainda exigir cautela, a sequência de quedas indica um movimento positivo, que ajuda a recompor o poder de compra e traz um pouco mais de alívio às famílias brasileiras — opina o economista.
Fora de casa
A alimentação fora do domicílio também acompanhou o movimento de desaceleração nos preços, trazendo reflexos positivos para o bolso dos consumidores. Segundo os números, a variação passou de 0,50% em agosto para 0,11% em setembro, indicando um ritmo bem mais lento de reajustes em restaurantes, lanchonetes e similares.
Entre os destaques, o subitem lanche apresentou redução importante, recuando de 0,83% para 0,53% no mesmo período. Essa queda representa um alívio para quem costuma fazer refeições rápidas fora de casa, seja por rotina de trabalho, estudo ou lazer, e reforça a tendência de estabilidade observada nos últimos meses no setor de alimentação.
O economista aponta que o controle dos custos de insumos e a concorrência entre estabelecimentos ajudaram a conter os preços, especialmente em um contexto de maior sensibilidade do consumidor às variações de valor.
— A desaceleração contribui não apenas para equilibrar o orçamento das famílias, mas também para impulsionar o movimento nos bares e restaurantes, que sentem o efeito direto do aumento do poder de compra da população — define Maia.
Restaurantes
Já o sócio e proprietário de um restaurante na cidade, Rolando Meneses avalia o momento como um sinal de recuperação gradual e equilíbrio.
— Depois de um período de muita alta nos insumos, conseguimos respirar um pouco. O custo de produtos como arroz, batata e outras verduras caíram, e isso já permite segurar o preço dos pratos. A gente sabe que o cliente está mais atento e sensível a aumentos, então toda estabilidade é bem-vinda — frisou.
A consumidora Regina Alves, que costuma almoçar em restaurantes durante a semana, percebeu a diferença nas últimas semanas.
— Eu notei que o preço dos pratos parou de subir. Antes, a cada mês tinha reajuste. Agora parece que deu uma trégua, e isso ajuda muito no orçamento — comentou.
O motorista de aplicativo André Souza também comemorou o momento.
— Quem come fora todo dia sente no bolso. Quando o preço estabiliza, sobra um dinheirinho no fim do mês. É um alívio — disse.
Desaceleração
A recente desaceleração nos preços dos alimentos tem sido percebida tanto pelos consumidores, quanto pelos comerciantes, que observam um movimento mais equilibrado nas compras do dia a dia. Em um dos supermercados da cidade, o gerente Sérgio Antônio de Oliveira, avaliou o momento com otimismo.
— A gente tem percebido que, nas últimas semanas, o cliente está conseguindo encher mais o carrinho gastando menos. Produtos como tomate, cebola e batata tiveram quedas importantes, e isso traz um certo alívio para quem faz a compra do mês. É um reflexo direto da melhora na oferta e da estabilidade na cadeia de abastecimento — destacou.
A dona de casa Maria de Lourdes Silva, que faz compras semanais, confirma a percepção.
— Deu pra sentir diferença, sim. O tomate e o arroz estão mais em conta, e a gente consegue planejar melhor o gasto. Já estava ficando pesado manter a despensa cheia — contou.
O estudante Pedro Henrique Almeida, por sua vez, também notou melhora nas refeições fora de casa.
— O preço dos lanches e marmitas deu uma trégua. Antes estava tudo subindo, agora parece que estabilizou um pouco — observou.
