Morte, prisão e suborno: PM prende trio envolvido em homicídio no bairro Savassi

Corpo foi desovado em área sem iluminação; crime teria relação com disputa por tráfico de drogas no Alto São João de Deus

Elian Ozéias 

O fim de semana foi marcado por mais um episódio de violência em Divinópolis. Um homem de 32 anos foi encontrado morto, na noite de sábado, 18, em uma área do bairro Savassi, com ferimentos provocados por arma branca. O caso, inicialmente tratado como um homicídio isolado, revelou-se parte de uma disputa de território ligada ao tráfico de drogas, e terminou com três homens presos, um deles acusado de tentar subornar policiais militares para escapar da prisão.

O corpo e a descoberta

A Polícia Militar (PM) chegou ao local após uma denúncia recebida pela redação do Jornal Agora, que informou sobre a presença de um corpo em uma rua sem iluminação e sem residências próximas. Quando as equipes chegaram, encontraram o homem já sem vida, com sinais de múltiplos golpes de faca.

A Perícia Técnica da Polícia Civil (PC) foi acionada e constatou que o corpo apresentava ferimentos compatíveis com luta corporal. Próximo ao corpo, havia pouco sangue, o que levantou a suspeita de que a vítima tenha sido morta em outro ponto da cidade e desovada no local.

A vítima, identificada como natural de Santa Luzia, havia deixado a Penitenciária de Betim há pouco mais de um mês e possuía passagens por tráfico de drogas, porte ilegal de arma e ameaça em Belo Horizonte e Contagem.

Rastreamento e prisões

As investigações avançaram rapidamente. Em menos de 24 horas, a PM conseguiu identificar e prender três suspeitos do assassinato. Durante rastreamento contínuo realizado pelo 23º Batalhão, os militares receberam informações de que o crime teria sido cometido por traficantes do bairro Alto São João de Deus, após desentendimentos sobre o controle da venda de drogas na região.

A vítima teria tentado “tomar” o ponto de tráfico, o que motivou a execução. Após o crime, o grupo teria utilizado um Gol prata para transportar o corpo até o Savassi, onde foi abandonado.

O primeiro suspeito foi preso em um bar na rua Monte Líbano, no Alto São João de Deus. Ao ser abordado, confessou o crime e ofereceu R$ 998 em dinheiro aos policiais para não ser preso, mas acabou detido por corrupção ativa e homicídio.

Na casa dele, os militares apreenderam o canivete usado no assassinato, guardado em uma cômoda. Em seguida, os outros dois suspeitos foram localizados. Um deles admitiu participação direta no crime, enquanto o terceiro afirmou ter emprestado o carro sem saber que seria usado para o transporte do corpo.

Arma apreendida

O primeiro autor, de 27 anos, foi autuado por homicídio e corrupção ativa, com antecedentes por tráfico de drogas.
O segundo, de 44 anos, também responderá por homicídio e tem registros por furto, lesão corporal e outro homicídio.
O terceiro suspeito, de 28 anos, que emprestou o veículo, também foi indiciado por homicídio e tem passagens por tráfico de drogas.

O veículo Gol prata foi apreendido com vestígios de sangue e encaminhado à perícia. O automóvel havia sido lavado após o crime, numa tentativa de eliminar provas.

O ciclo da violência urbana

Para o cientista social Emanuel de Morais, o caso reflete um padrão de violência urbana associado à busca por poder, reconhecimento e sobrevivência em contextos marcados pela desigualdade social.

— A violência urbana é um problema antigo com os moldes da modernidade. A criminalidade hoje se manifesta como uma distorção da busca por ser alguém, por validação social — explica o pesquisador.

Ele cita reflexões de Santo Agostinho sobre a “ordo amoris” — a ordem do amor —, adaptadas à realidade dos jovens periféricos.

— Quanto mais a sociedade despreza os subalternos, mais eles são empurrados à coisificação. A revolta e o crime surgem como uma forma de se fazer ver, de afirmar a própria existência — conclui.

O especialista lembra ainda que a violência é também um espelho da exclusão social, e que políticas públicas voltadas apenas à repressão não resolvem o problema.

— O menino magro e fraco que se torna temido é o mesmo que antes era invisível. A criminalidade é uma tentativa desesperada de se tornar alguém em meio ao abandono coletivo — afirma.

Investigações continuam

A Polícia Civil investiga agora o possível envolvimento de outros integrantes do grupo e a origem da disputa de pontos de tráfico no local. 

O trio foi encaminhado ao Presídio Floramar, em Divinópolis, e segue à disposição da Justiça.

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