Lucas Maciel
A passagem de uma frente fria pelo território brasileiro alterou o cenário climático em praticamente todas as regiões do país nestes últimos dias. O sistema, que avança desde o fim de semana, trouxe temporais para o Norte e o Nordeste, ventos fortes e queda acentuada nas temperaturas do Sul e parte do Sudeste.
O fenômeno marca uma virada nas condições do tempo e reforça o comportamento típico do mês de outubro, período de transição entre o inverno e o verão, em que as variações climáticas tendem a ser mais bruscas. De acordo com institutos de meteorologia, a frente fria se deslocou rapidamente, levando umidade para o norte do país e, ao mesmo tempo, impulsionando uma massa de ar polar sobre o Centro-Sul.
Em Minas Gerais, o frio chegou acompanhado de céu nublado e períodos de vento moderado. Na região, incluindo Divinópolis, o amanhecer tem sido marcado por temperaturas entre 12 °C e 14 °C, e tardes amenas, com máximas em torno de 25 °C.
Frente fria
A mudança no tempo está diretamente associada à chegada de uma frente fria que avançou pelo litoral do Sudeste e ajudou a canalizar um corredor de umidade para o Norte e o Nordeste do país. Esse sistema é formado pelo encontro de massas de ar com características distintas — uma quente e úmida, vinda das regiões tropicais, e outra fria e seca, proveniente do Sul. A interação entre essas correntes provoca instabilidades atmosféricas, responsáveis pelas chuvas volumosas e pelas quedas bruscas de temperatura observadas em diversos estados.
Logo após a passagem da frente fria, uma massa de ar polar se estabeleceu sobre o Centro-Sul do Brasil, mantendo o tempo firme e as temperaturas mais baixas. Esse tipo de massa de ar é caracterizado pela alta pressão atmosférica, o que dificulta a formação de nuvens e reduz a ocorrência de chuvas. Com o céu mais limpo durante as madrugadas, ocorre uma perda maior de calor da superfície, o que favorece a sensação de frio acentuado nas primeiras horas do dia.
Em Minas Gerais, a combinação entre o ar polar e a posição geográfica do estado — que está sob influência tanto da umidade do oceano quanto das correntes de vento vindas do Sul — intensificou o resfriamento. Nas regiões de maior altitude, como a Serra da Mantiqueira e o Campo das Vertentes, as mínimas ficaram ainda mais baixas.
Já no Centro-Oeste mineiro, as temperaturas registraram frio moderado e tempo estável. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas devem permanecer amenas até o fim da semana, antes da chegada de uma nova frente fria que voltará a alterar o cenário climático a partir do próximo fim de semana.
Divinópolis
Em Divinópolis, o cenário segue estável nos próximos dias, sob influência da massa de ar frio e seco que atua sobre o Centro-Sul do país. As madrugadas e manhãs continuam com temperaturas baixas para o período, variando entre 12 °C e 15 °C até o fim da semana. Durante as tardes, o sol aparece entre muitas nuvens, e as máximas ficam entre 25 °C e 29 °C, mantendo uma sensação térmica amena.
O céu deve permanecer parcialmente nublado nesta quarta, 22 e quinta, 23, sem previsão de chuva pelo menos até domingo, 26. O tempo firme predomina, com sensação de frio nas primeiras horas e clima agradável ao longo do dia. Os ventos sopram de sudeste, com rajadas em torno de 10 a 12 km/h.
A umidade relativa do ar deve variar de 30% a 80%, o que indica tempo seco nas horas mais quentes do dia — situação comum nesta época de transição entre estações. Mesmo com o ar mais frio, os índices de radiação ultravioleta permanecem elevados, e os meteorologistas reforçam a necessidade de atenção com a exposição solar.
Nova frente
Uma nova frente fria deve avançar pelo Brasil a partir de segunda-feira, 27, e provocar mudanças nas condições climáticas também em Minas Gerais. O sistema deve aumentar a nebulosidade e trazer possibilidade de pancadas de chuva isoladas na região, incluindo Divinópolis. As temperaturas tendem a subir levemente antes da chegada das instabilidades, com máximas próximas de 33 °C no início da semana.
Apesar da previsão de chuva, os volumes esperados não são altos e devem se concentrar em períodos curtos. A tendência é de que o tempo volte a ficar estável no meio da próxima semana, com variações de nebulosidade e temperaturas entre 20 °C e 30 °C.
Aquecimento global
O professor de análises ambientais, Carlos Alexandre Vieira, explica que as frentes frias já são fenômenos naturais e não são criadas pelas mudanças climáticas, mas que o aquecimento global pode interferir na forma como elas se comportam.
Ele destaca que as oscilações térmicas em nível global, provocadas por oceanos mais quentes, desorganizam os fluxos de massas de ar frio de origem polar, permitindo que essas frentes alcancem o Sudeste em períodos incomuns.
— Essas oscilações térmicas aumentaram e potencializaram a desordem climática em relação às frentes frias, permitindo que elas avancem e cheguem a locais que não eram de costume — afirmou.
Segundo o professor, a distribuição desigual de calor no planeta, consequência do aquecimento global, pode alterar correntes atmosféricas e abrir caminho para que massas polares cheguem regiões onde antes não chegavam.
— O aquecimento global já é um fato real. O que pode estar ocorrendo é a distribuição desigual de calor no globo terrestre, influenciando nas correntes atmosféricas. Quando isso acontece, abre-se uma porta para que essa frente fria entre no Sudeste. Antes, as correntes atmosféricas estavam bem distribuídas e essa frente fria iria para outro local, não para o Sudeste — finalizou.
Recomendações
A Defesa Civil orienta a população a manter cuidados redobrados durante o período de frio e baixa umidade. Entre as recomendações estão evitar exposição prolongada ao vento nas primeiras horas do dia, hidratar-se com frequência e proteger especialmente crianças e idosos, mais suscetíveis às doenças respiratórias.
O órgão também reforça a importância de manter ambientes arejados e de atenção especial a aquecedores e fogões, para evitar acidentes domésticos. Em dias de ar mais seco, a dica é usar umidificadores ou toalhas úmidas nos cômodos, além de evitar queimadas e descarte de bitucas em áreas de vegetação, que aumentam o risco de incêndios.
