Da Redação
A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença grave, contagiosa e potencialmente fatal que pode causar sequelas permanentes. Embora o Brasil e as Américas tenham sido certificados como livres da doença em 1994, o risco de reintrodução ainda existe caso as coberturas vacinais permaneçam baixas. O Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado na próxima sexta-feira, 24, reforça a importância da vacinação como principal medida de prevenção e controle da enfermidade.
Em Divinópolis, a vacina está disponível em todas as unidades básicas de saúde. A aplicação das doses segue o calendário nacional de imunização e é a principal forma de garantir que o poliovírus não volte a circular no país.
Doença
O poliovírus pode provocar ou não paralisia. Sua multiplicação começa na garganta ou nos intestinos e, ao alcançar a corrente sanguínea, pode atingir o cérebro. Quando ataca o sistema nervoso, destrói os neurônios motores e causa paralisia flácida, geralmente em um dos membros inferiores. Se atingir os centros nervosos responsáveis pela respiração e deglutição, a infecção pode ser fatal.
O período de incubação varia de 5 a 35 dias, sendo mais comum entre 7 e 14 dias. Em muitos casos, a infecção não apresenta sintomas, o que favorece a transmissão, já que o vírus continua sendo eliminado pelas fezes, contaminando a água e os alimentos.
Entre os sintomas mais frequentes nas formas não paralíticas estão febre, mal-estar, dor de cabeça, dor de garganta e no corpo, vômitos, diarreia, rigidez na nuca e, em alguns casos, meningite. Na forma paralítica, ocorre a flacidez muscular, que pode comprometer permanentemente a mobilidade.
Prevenção e vacinação
Assim como outras doenças virais, a poliomielite não tem tratamento específico. O cuidado médico é voltado para o controle de sintomas e complicações. Repouso, mudança frequente de posição, controle da dor e acompanhamento fisioterapêutico e ortopédico são medidas indispensáveis para reduzir as sequelas.
A prevenção, por outro lado, é altamente eficaz. A vacinação é o principal instrumento para impedir a circulação do vírus. No Brasil, a imunização é feita com duas vacinas: a VPO (vacina oral, conhecida como “gotinha”) e a VIP (vacina inativada, aplicada por injeção).
A VPO faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e deve ser aplicada aos 2, 4, 6 e 15 meses de idade, com reforços anuais até os 5 anos. Já a VIP é indicada para pessoas com baixa imunidade ou que viajarão a regiões onde o vírus ainda circula.
O agente público do Rotary Leste, inserido de forma decisiva no combate, Gabriel Teodoro, reforça que a vacinação é a única forma de erradicar a poliomielite.
— O Rotary Internacional tem o objetivo de erradicar a poliomielite no mundo. E hoje a gente só tem casos em dois países. Isso porque a campanha é efetiva, de erradicação. A gente apoia incondicionalmente a vacinação e acredita que é a única forma de erradicar—afirmou.
Gabriel observa que, após a pandemia da covid-19, parte da população passou a demonstrar resistência ou descuido em relação à vacinação infantil.
— A gente notou que alguns países não têm a consciência efetiva do que a poliomielite causa de dano na vida de uma criança. Então é hora de lembrar que a vacina salva vidas. As gotinhas estão disponíveis em todas as unidades de saúde — alertou.
Ele também recorda que o personagem “Zé Gotinha” surgiu justamente a partir da campanha de vacinação contra a poliomielite, símbolo de uma das maiores conquistas da saúde pública no país.
— O Zé Gotinha surgiu através da vacina contra a poliomielite, que são realmente as gotinhas, não dói. Então, para você pai e mãe, leve o seu filho para vacinar. Talvez nós não lembremos do que foi a poliomielite no mundo. Se hoje não existe, é porque temos a condição de vacinar e erradicar de vez — ressaltou.
Ações de conscientização
Em Divinópolis, o Rotary Leste tem realizado diversas ações de incentivo à vacinação. Uma das mais recentes ocorreu durante a corrida da Unimed, no no último dia 19, em parceria com a Central de Imunização da Prefeitura e os clubes Rotary Leste e Oeste.
— Levamos o vacimóvel e, além da vacina da poliomielite nas crianças, atualizamos a caderneta de vacina de todos os presentes. Foi uma oportunidade tremenda de vacinação e também fizemos eventos de conscientização, adesivos e faixas durante a prova — explicou.
