Lucas Maciel
Uma agenda em Brasília voltada à conclusão do Hospital Regional será realizada na próxima quarta-feira, 29, reunindo representantes e autoridades de municípios da região. O anúncio foi feito durante um encontro na sede do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário do Vale do Itapecerica (Cimmvi), em Divinópolis, que contou com a presença de dezenas de prefeitos regionais.
Como parte das próximas ações, também ficou definida a elaboração de um documento conjunto, com as assinaturas dos chefes do Executivo municipal que estavam presentes, a ser entregue na Cidade Administrativa nas próximas semanas, em um ato simbólico de mobilização pelo início do funcionamento da unidade.
O Hospital Regional é um projeto que se arrasta há mais de 10 anos. A construção passou por longos períodos de paralisação e, mesmo com o prédio praticamente pronto, a operação da unidade ainda depende de ajustes, equipamentos e formalização de gestão pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
Encontro
O tema voltou a ser debatido após a reunião realizada na semana passada entre o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), e a secretária nacional de Planejamento e Finanças do PT, Gleide Andrade. Durante o encontro, foram discutidos os próximos passos e a articulação junto a órgãos federais para dar continuidade ao projeto do hospital.
O Agora acompanhou o encontro desta quinta-feira, 23, que teve como principal objetivo definir estratégias conjuntas e reforçar a mobilização política em torno da conclusão da unidade de saúde.
O presidente do CIS-URG Oeste e prefeito de Lagoa da Prata, Di Gianne de Oliveira Nunes (Republicanos), ressaltou que os gestores municipais buscam pressionar os governos estadual e federal para que a unidade comece a funcionar o quanto antes.
— Nós, prefeitos do Centro-Oeste, temos que mostrar a insatisfação dessa peleja que está acontecendo entre o governo federal e o governo do Estado em relação ao Hospital Regional, que já está pronto, já era para ter começado a funcionar no mês passado — afirmou.
Cobrança
A secretária nacional de Planejamento e Finanças do PT, Gleide Andrade, afirmou que o governo de Minas ainda não cumpriu a sua parte no acordo que prevê a entrega do hospital pronto e equipado à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
— O governo tinha que ter entregue o hospital em setembro, tal qual o secretário de Saúde veio aqui e anunciou em coletiva. Depois começou uma conversa de que o Estado queria botar o hospital no Propag. O hospital não pode ser usado como moeda de troca para pagar uma dívida do Estado com a União — disse.
Segundo Gleide, a agenda em Brasília prevista para a próxima semana incluirá reuniões na Ebserh, no Ministério da Fazenda e em outros órgãos federais.
— A ideia é somar uma grande força entre o governo municipal, o governo federal e todas as prefeituras da região para pressionar com que o Estado cumpra com a parte dele, que é entregar o hospital pronto e equipado — reforçou.
Durante a reunião, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), também afirmou que a principal pendência para o início do funcionamento do hospital é de responsabilidade do governo de Minas. Segundo ele, o governo federal já se comprometeu com o custeio da unidade, o que reforça a necessidade de o Estado concluir sua parte no processo.
— O Zema é do meu partido, se meu irmão não for candidato ao governo e o Matheus Simões for, eu vou fazer campanha pra ele, mas eu tenho que ser sincero: infelizmente hoje o hospital não está funcionando por causa do governo do Estado. Porque o mais difícil o governo federal vai fazer, que é custear. — afirmou.
União
O chefe do Executivo de Divinópolis ainda defendeu que o debate sobre o hospital seja tratado como prioridade coletiva, sem disputas partidárias.
— Eu chamei o Di Gianne, que é o presidente do CIS-URG, para mobilizar mais de 50 prefeitos, porque o hospital não é de Divinópolis, é do Centro-Oeste de Minas. São mais de 2 milhões de pessoas que vão ser beneficiadas com essa obra — lembrou.
Ele destacou o apoio de Gleide Andrade e disse que o diálogo entre diferentes correntes políticas mostra que o tema é de interesse público.
— A gente está de lados diferentes, mas pelo povo, a gente vai trabalhar num propósito de colocar esse hospital regional para funcionar o mais rápido possível. Eu espero de coração que isso não seja uma ação política. O hospital não pode ser palco de política — completou.
O vice-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira (Avante), também defendeu que o hospital saia do campo político e passe a ser tratado como prioridade de gestão.
— Esse hospital regional é de tanta importância, não só para Divinópolis, mas para toda a nossa região. Foi feita muita propaganda política em cima dele e, como se vê, pouca entrega. A gente precisa cobrar do governo a agilidade para que, quanto antes, ele possa ser inaugurado — explicou.
Estrutura
O Regional terá um papel central na saúde da macrorregião, servindo como referência para atendimento a dezenas de municípios. A unidade contará com infraestrutura completa para atendimento de média e alta complexidade.
O hospital terá bloco cirúrgico com oito salas, maternidade equipada com três quartos de pré-parto, parto e pós-parto, quatro salas de parto cirúrgico e ambulatório com oito consultórios.
Além disso, oferecerá serviços auxiliares de diagnóstico e terapia, incluindo tomografia, ressonância magnética, hemodinâmica, mamografia, raio-x, ultrassom e densitometria.
