Aos gritos de “Zema ladrão, a Copasa é do povão!”, servidores da estatal protestaram ontem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A polêmica está centralizada na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, do governador Romeu Zema (Novo). O texto elimina a necessidade de referendo popular para privatizar ou federalizar a empresa. O desgaste não é recente. Zema já manifestou seu intuito de abrir mão de estatais, especialmente Cemig e Copasa. Se é o caminho certo, apenas o tempo dirá. Há bons e maus exemplos de privatizações. No entanto, é cristalino saber que, na privatização, a busca é pelo lucro — e, para isso, não é incomum diminuir o número de profissionais para reduzir o custo da operação. O que parece, no entanto, é que muitos gestores abrem mão de tentar melhorar a administração de tais companhias, e optam pelo caminho fácil da privatização. Nessa briga, onde não há resposta certa, pois a melhora ou piora do serviço dependerá de quem for gerir no futuro, é nítido que Zema tenta uma última cartada para alavancar ainda mais sua projeção nacional. Sua cúpula garante ter votos suficientes para aprovar a PEC e dar continuidade ao processo. Mas será que vale o desgaste?
Sim e não
Ainda dentro do assunto que vem dividindo opiniões, nos últimos meses, Cleitinho Azevedo (Republicanos), revelou nesta terça-feira, 21, ser contra o fim do referendo popular para a desestatização da companhia. Na contramão, está seu colega de bancada e conterrâneo de estado, Carlos Viana (Podemos). O senador defende, que a privatização dos serviços de água e esgoto, sob alegação de que são “importantes para atrair investimentos e garantir à população 100% de água limpa e tratamento de esgoto para os nossos rios”. Viana afirma ainda que a concessionária de água não tem conseguido prestar um bom serviço. Já Cleitinho pondera que apesar das dificuldades, a estatal é um patrimônio do Estado. Queda de braço de todos os lados que ainda dará “pano pra manga”. “Pode crer”!
Tarefa árdua
O vice-governador Mateus Simões deixa o Novo para se juntar ao PSD. Quer mesmo um partido de maior articulação política para o próximo pleito. Seu grande desafio é unir a direita e, para isso, convencer o senador Cleitinho (Republicanos) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) a não entrarem na disputa. Não é tarefa fácil, visto que os dois nomes despontam nas pesquisas eleitorais. Será que ele consegue? Cleitinho não tem nada a perder. Mesmo que saia derrotado, reassumiria sua posição no Senado. Já Nikolas, não— além de ser um dos maiores puxadores de votos na Câmara para o partido. Agora, quer Cleitinho o desafio?
Já saiu
Outro nome conhecido da política que também está de casa nova, é o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, conhecido por ser encrenqueiro, se filiou nesta quarta-feira, 22, ao PSDB em um evento, onde não faltaram críticas ao governo do presidente Lula (PT). Ele relembrou os casos de corrupção no governo petista e afirmou que o atual governo “não tem honra e decidiu não unir o Brasil”. Ciro deixou PDT após décadas como principal liderança da sigla. A cerimônia aconteceu em um hotel em Fortaleza, em cerimônia que contou com a participação de deputados tucanos e de nomes da direita do estado. Aproveitou para alfinetar o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), possível candidato ao governo do Ceará em 2026. Incrível, tem gente que não muda uma vírgula. Pode passar o tempo que for.
Duas mil páginas
Publicado nesta quarta-feira, 22, pelo Supremo Tribunal Federal, o documento oficial, que reúne todos os votos e argumentos do julgamento que condenou Bolsonaro (PL) e outros sete aliados por tentativa de golpe de Estado. O acórdão tem quase 2 mil páginas e oficializa a decisão tomada pela Primeira Turma do STF no dia 11 de setembro, quando o ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. Ele foi considerado o líder do grupo que tentou manter o poder após a derrota nas eleições de 2022. As penas dos demais condenados variam de 2 a 26 anos de prisão. Com a publicação, começa a contar o prazo de cinco dias para que as defesas dos condenados entrem com recursos. O que não muda nada nas decisões, mas pode possibilitar o adiamento do cumprimento das penas. O que esses advogados devem estar trabalhando, “não está no gibi”!
