Da Redação
Neste domingo, 26, em Kuala Lumpur, capital da Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou-se com Donald Trump, em uma reunião com duração estimada de 50 minutos durante a 47.ª Cúpula da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
O clima do encontro, segundo autoridades brasileiras, foi amistoso — mas há muito em jogo: tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, sanções a autoridades nacionais e o futuro da relação comercial entre os dois países.
O que motivou a reunião?
Desde julho de 2025, o governo norte-americano impôs uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras para os EUA, uma medida que gerou forte contra-ataque diplomático por parte do Brasil. Além disso, medidas como revogação de vistos para ministros brasileiros e sanções a autoridades do STF alimentaram o clima de crise nas relações bilaterais. Foi neste contexto que o Brasil propôs: se os dois presidentes se sentarem à mesa, há possibilidade de reverter o “tarifaço” e reiniciar negociações.
O que se decidiu — ou pelo menos prometeu-se?
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, disse aos jornalistas logo após o encontro que Trump autorizou sua equipe a iniciar negociações voluntárias para revisão das tarifas já na noite de domingo, no horário local da Malásia. Vieira também definiu o encontro como “muito positivo” e afirmou que o saldo foi “ótimo”.
Durante a conversa, Trump teria expressado admiração pela trajetória política de Lula — incluindo sua volta ao poder após controvérsias judiciais — e demonstrado bons indicativos de abertura ao diálogo. Do lado brasileiro, Lula usou as redes sociais para comentar o encontro como “ótimo” e afirmou que ele foi conduzido “de forma franca e construtiva”, com discussão da agenda comercial bilateral, tarifas e sanções. Também foi revelada a intenção de que Trump visite o Brasil em data futura ainda não confirmada — e Lula, por sua vez, estaria disposto a ir aos EUA novamente.
Esse encontro carregava consigo uma “janela de oportunidade” para evitar que a crise diplomática se aprofundasse. Um aceno à suspensão ou revisão das tarifas simboliza que Estados Unidos e Brasil não querem permanecer em rota aberta de conflito comercial.
Mas não é simples reverter medidas já impostas. As tarifas foram adotadas unilateralmente por Washington como resposta a pressões políticas, acusações de “trato injusto” e uma retórica que questionava decisões judiciais brasileiras. Se as negociações não renderem resultados concretos, o Brasil corre o risco de ficar sob um regime econômico mais hostil — com empresas exportadoras pressionadas, investidores receosos e aumento das tensões geopolíticas.
