Elian Ozéias
A Polícia Militar (PM) registrou mais um episódio de violência doméstica em Divinópolis Desta vez, na noite deste domingo, 26, por volta das 18h20, no cruzamento das ruas Cajueiro e Angelim, no bairro Jardinópolis, e começou com uma briga entre dois homens e duas mulheres. A ocorrência terminou com um homem preso após tentar agredir sua ex-companheira com uma faca.
De acordo com o Boletim de Ocorrência da PM, os militares estavam a caminho de um acidente de trânsito quando se depararam com a confusão. No local, encontraram os envolvidos em luta corporal, e um dos homens segurava uma faca. Os policiais intervieram rapidamente, ordenaram que o suspeito soltasse a arma, o que foi acatado, e contiveram a situação.
Atropelamento e agressão
Testemunhas relataram à PM, que o autor, ex-companheiro de uma das mulheres, teria tentado atropelá-la com o carro antes da briga. A vítima contou que estava na casa de uma amiga quando avistou o ex no veículo. Segundo ela, ao percebê-la, o homem jogou o carro em sua direção, atingindo seu joelho direito.
As amigas da mulher intervieram para contê-lo, e uma delas acabou ferida nos dois joelhos durante.
— Ele foi pra cima dela com o carro, e eu fui pra cima dele pra tentar impedir. Fiquei machucada, mas foi o que deu pra fazer — disse a testemunha para a PM.
O agressor, por sua vez, deu outra versão aos militares. Disse que a ex teria atirado pedras contra seu carro, o que o motivou a descer do veículo para questioná-la. Neste momento, segundo ele, um homem e outra mulher teriam começado a agredi-lo. Alegando legítima defesa, ele afirmou ter sacado a faca apenas para se proteger, o que foi interrompido com a chegada da polícia.
Após o controle da situação, os dois homens foram presos por vias de fato e lesão corporal, sendo encaminhados à Delegacia de Polícia Civil (PC) junto com as vítimas e a faca apreendida.B Foram ouvidos e liberados.
Violência crescente
O caso reforça um cenário preocupante: Divinópolis tem registrado um aumento expressivo nos casos de violência doméstica e agressões físicas.
Somente entre janeiro e junho deste ano, a PC contabilizou 918 ocorrências de violência doméstica, uma média de cinco casos por dia, ou uma mulher agredida a cada cinco horas. O índice representa um aumento de 15,3% em relação a 2024.
Vale ressaltar que os números de agosto para cá, ainda não foram divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança de Minas Gerais (Segusp). Por isso, os casos ocorridos no período não foram acrescidos ao anterior. O órgão apresenta a estatística apenas semestralmente.
Fins de semanas violentos
Casos recentes também evidenciam a escalada da violência. Um homem de 32 anos foi encontrado morto, na semana passada, após denúncia feita ao Jornal Agora.
Já na semana anterior, um crime bárbaro chocou a população: um irmão matou a irmã a facadas durante uma discussão familiar.
Falhas das instituições
É o que afirma o cientista social e mestre em Educação pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Genival Souza Bento Júnior. Ele avalia que o aumento da violência é reflexo direto da desigualdade social e da desarticulação das instituições públicas.
— A violência é uma engrenagem que passou a mover a sociedade. O problema não está apenas na ausência de policiamento, mas na falta de conexão entre as instituições, escola, família, Estado e comunidade — afirmou.
Para o especialista, reduzir os índices de violência exige investimento, articulação entre órgãos públicos e políticas de prevenção.
— É um erro acreditar que poderíamos ter violência zero. O que precisamos é de uma ação conjunta entre as instituições e melhores condições de trabalho para os agentes de segurança. A violência é o sintoma de um sistema que falhou em oferecer pertencimento, dignidade e oportunidades — afirmou.
Rotina de medo
O caso no bairro Jardinópolis, conforme estatística, se soma a uma sequência de ocorrências violentas que transformaram a cidade em palco de crimes recorrentes. Números que mostram o problema além das estatísticas; reflete uma rotina de medo e insegurança que atinge todas as camadas sociais.
