Da redação
A Polícia Militar (PM) prendeu, na madrugada desta terça-feira, 28, o principal suspeito de um homicídio brutal registrado no bairro Danilo Passos, em Divinópolis. O homem, de 27 anos, foi localizado dentro de um motel após tentar roubar um posto de combustíveis na MG-050, logo depois de assassinar e carbonizar parcialmente a vítima.
Ocorrência
O crime foi descoberto após denúncia anônima que levou os militares até a rua Maria da Paz, onde encontraram o corpo de um homem de 50 anos, com um corte profundo no pescoço e sinais de carbonização. O local foi isolado e a perícia da Polícia Civil (PC) acionada.
Durante as diligências, os policiais receberam informações sobre um roubo ocorrido horas antes em um posto de combustíveis nas proximidades do bairro Vila Romana, também na 050. O frentista relatou que foi surpreendido por um homem armado com uma faca, que anunciou o assalto e levou cerca de R$ 400 em dinheiro. Após o crime, o autor fugiu de carro e se escondeu em um motel da região, onde acabou sendo preso em flagrante.
Ao ser levado para a delegacia da PC, os investigadores confirmaram que se tratava do mesmo homem responsável pelo homicídio no Danilo Passos. Segundo a PM, ele confessou ter matado a vítima antes de fugir e cometer o roubo.
O suspeito tem passagens anteriores por homicídio, tráfico de drogas, furto e ameaça, e estava sendo monitorado por outras ocorrências. Outros dois envolvidos no assassinato são procurados.
A vítima, por sua vez, também tinha histórico criminal por tráfico, furto e estelionato. A polícia acredita que o crime possa estar relacionado a desavenças no meio do tráfico, hipótese que ainda será investigada.
Alvo da violência
Com o homicídio desta terça-feira, Divinópolis chegou a 44 assassinatos em 2025, número que já ultrapassa todo o total registrado em 2024, quando foram 23. Entre as vítimas deste ano, 27 tinham menos de 30 anos, e a faixa etária mais atingida é a dos 25 anos, com nove mortes registradas.
O mês de outubro, ainda em curso, já soma cinco homicídios, o que representa uma das maiores médias do ano. Se o ritmo se mantiver, o município pode encerrar 2025 com o maior índice de assassinatos dos últimos cinco anos, segundo levantamento feito pelo Jornal Agora.
| Mês | Homicídios (2025) | Homicídios (2024) |
| Janeiro | 2 | 0 |
| Fevereiro | 6 | 2 |
| Março | 5 | 4 |
| Abril | 2 | 1 |
| Maio | 6 | 2 |
| Junho | 3 | 4 |
| Julho | 3 | 1 |
| Agosto | 4 | 2 |
| Setembro | 7 | 6 |
| Outubro | 5* | 0 |
(Dados até 28 de outubro)
Além dos homicídios consumados, 14 tentativas de assassinato foram registradas neste ano.
‘Uma arquitetura de morte’
O cientista social Emanuel de Morais analisa que os dados refletem não apenas falhas na segurança pública, mas também um colapso nas estruturas sociais.
— Em contextos de marginalização, a lógica “olho por olho, dente por dente” se torna uma forma de lidar com as próprias violências vividas. Essa dialética hostil cria um ciclo de perdas que esvazia moralmente o indivíduo — explica.
Para ele, o poder público e a sociedade compartilham responsabilidade diante da escalada de mortes.
— A criminalidade é um problema nosso, enquanto sociedade. A sujeira de uma casa é responsabilidade de todos que ali vivem. Ignorar o problema faz com que esse “elefante branco” cresça e se legitime nas raízes sociais — alerta.
O profissional reforça que combater o avanço da violência requer ações estruturais e integradas, indo além do aumento de patrulhas ou prisões.
— O prefeito e os vereadores devem agir para que Divinópolis não se habitue a uma arquitetura de morte. É uma ação que visa o presente, mas também espelha um futuro para as crianças que crescem em meio à barbárie — conclui.
