A megaoperação realizada nesta terça-feira, no Rio de Janeiro escancarou, mais uma vez, a força bélica das organizações criminosas. Operações como essa são necessárias, sim — o Estado não pode se acovardar diante do crime —, mas sem um planejamento macro e permanente, o resultado, além de catastrófico, será sempre pontual e efêmero. A história recente do Rio já deixou lições suficientes. As UPPs, que nasceram como uma tentativa ousada de retomada territorial e pacificação, transformaram-se num exemplo frustrado da incapacidade de o poder público sustentar uma política de segurança contínua. Sem presença social, sem políticas públicas integradas e sem investimento em inteligência, qualquer vitória policial tende a ser apenas simbólica — e passageira.
Minas indecisa
E tudo depende de quê? Política. Não a praticada hoje pela maioria dos atuais representantes do povo, mas uma que traga resultados efetivos e positivos para o povo. Em especial, aquele que vive em situações como está descrito no primeiro tópico. E para que isso aconteça, é urgente que os eleitores aprendam a escolher seus candidatos por meio de uma avaliação criteriosa. Ano que vem já bate à porta. Neste contexto, nos bastidores da política mineira, a disputa para o governo de Minas promete ser acirrada: Cleitinho segue firme no jogo, com apelo popular e discurso de independência, e a possível entrada de Nikolas Ferreira adiciona um novo elemento de imprevisibilidade à corrida. Com dois nomes de peso em cena, Simões terá dificuldade em costurar alianças. Por isso, caberá ao eleitor — e só a ele — definir, nas urnas, qual projeto prevalecerá: o da continuidade, o da ruptura ou o do discurso que mais ressoe com o sentimento popular.
Águas turbulentas
Enquanto isso, Cleitinho tenta driblar as crises internas da direita diante das suas recentes declarações. Após dizer que Eduardo Bolsonaro (PL) perderia uma eventual disputa presidencial contra Lula (PT), o deputado federal rebateu dizendo que foi imprudente “dar” uma vaga ao Senado ao mineiro. Em entrevista recente, Simões inclusive chegou a sugerir que Azevedo está mais alinhado às pautas da esquerda. Quem acompanha a política de perto sabe que as declarações cheiram a insegurança daqueles confrontados com a verdade. Hoje Cleitinho é um dos poucos políticos capazes de caminhar sozinho, sem apadrinhamentos e sem medo de defender pautas consideradas de esquerda mesmo sendo identificado com a direita. Seus posicionamentos são frutos do que ele acredita, independente do eleitor concordar ou não. Por isso, ele incomoda. E, caso confirme sua pré-candidatura ao governo estadual, é um dos nomes favoritos — como apontam as pesquisas. Por isso, o senador continuará sendo alvo. Mas com a certeza de que, se não for candidato, os demais brigarão por seu apoio, pelo seu forte apelo popular e ser referência nacional atualmente, pelo que acredita e defende.
Não terá apoio?
Desnecessário repetir que Mateus Simões trocou de partido porque não conseguiu emplacar mesmo com o apoio de Romeu Zema. O objetivo da costura que culminou na sua ida para o PSD, é justamente, crescer na preferência da população, e consequentemente, conseguir competir de igual para igual com os demais na disputa em 2026. Ou quem sabe, ao invés de concorrer, conseguir o apoio de uma deles que optar por não se candidatar, como o próprio Cleitinho. No entanto, pelo visto até agora, um acordo entre os dois só se concretiza se a liderança nas pesquisas de intenção de votos for levado em conta. Se assim não for, o vice-governador pode esquecer o apoio do divinopolitano, que não “bate o martelo” ainda sobre uma possível candidatura, mas o fará se continuar à frente das pesquisas. Complicado? Não. Jogo político.
‘Eleição garantida’?
Do outro lado, o tabuleiro político mineiro conta com uma peça também importante. Entusiastas querem por querem que Níkolas Ferreira — um dos deputados mais bem votados em Divinópolis, mas que não trouxe nenhum centavo de recursos para a cidade — concorra à cadeira de Zema. Eles argumentam que ele seria o candidato mais competitivo da direita, estando com a “eleição garantida”. Por sua vez, Nikolas não descarta, e para isso, tem conversado com seus apoiadores. Porém, todavia, entretanto, é considerado peça valiosa para a chapa de deputados federais do PL, porque puxa muitos votos. Isso vai pesar e muito!
