Agnese, o último amor da poeta 

LEOLINO E PÓRCIA – CAP. XX

O sobrinho de Pórcia, parecia ter o mesmo destino dela:  total infelicidade amorosa. Voltemos um pouco na trajetória dele. Antes do falecimento precoce, sua vida seria selada com outro amor infeliz, além de Leonídia. Ainda em Curralinho, tentando se recuperar de suas enfermidades, conheceu uma amiga, professora de piano de sua irmã Adelaide. Seu nome era Agnese Trinci Murri. Oriunda da  Itália, veio com a companhia do Sr. Merciay em 1864. Era uma soprano famosa, além de atriz. Segundo o escritor Afrânio Peixoto ” …Era alta, esbelta, alva como um mármore de Carrara. Mãos aristocráticas, olhos e cabelos negros, boca e voz deliciosas….” Sua beleza indescritível, foi logo sequestrando o olhar do poeta e produzindo nele um doce encantamento e uma tórrida paixão. Castro Alves tinha um edifício no coração e nele cabia todas as mulheres, principalmente as mais belas. Além da amputação do pé, ele dava sinais claros de tuberculose. Obviamente todos o evitavam, por precaução. Ela era viúva e tinha um grande vazio no peito, esperando ser amada por alguém de mérito. Ao ver o poeta, se interessou por ele sigilosamente, aguardando quem sabe, um poema…O poema CONSUELO, escrito em sua homenagem, seria lido por inúmeras gerações. Ei-lo : …” Vem comigo formosa…Voemos a Sorrento! Por barco —a fantasia. Por flâmula —teu véu. Seja o cabelo negro— a vela solta ao vento… Vem comigo sonhar a Itália… “

Dizem os especialistas em astrologia hermética, que os nativos na última casa zodiacal, representam o fim em matéria de amor. São adeptos da infelicidade amorosa. A casa de peixes, podemos observar que é representada por dois peixes cruzados, em destinos opostos. Os signos coletivos são da sétima até a décima segunda casa. O destino os preparou para atividades amplamente sociais. No tocante ao pisciano, todas as energias positivas e negativas dos 11 signos anteriores, são descarregadas nele e não existe válvula de escape. Implodem… Castro Alves nasceu dia 14 de março. Exatamente, no signo da infelicidade amorosa. As cartas astrológicas, não mentem jamais. Elas não impõem, mas expõem. O indivíduo atrai e é atraído para o abismo  de si mesmo. Infelizmente o grande poeta, mesmo sendo famosíssimo, possuindo mulheres belas aos seus pés, não pode permanecer ao lado de nenhuma delas. Para completar a infelicidade, morreu muito  novo, sem oportunidade de tentar novamente  ser feliz. Digo em um poema : “Não precisas me amar. Eu te amo e isso basta… Não foi culpa minha e nem tua, Foi culpa do mar” .Esse poema se refere ao ápice que chegou o homem integral. Necessário é que subamos a pirâmide interna e estejamos além do masculino / feminino, onde existe a plenitude do amor real. Especialmente o homem em estado bruto, precisa ser lapidado pela dor.

Também, lembremos do imortal João da Cruz e Souza, pai do simbolismo brasileiro: “SORRISO INTERIOR — O ser que é ser e que jamais vacila, nas guerras imortais, entra sem susto. Fica tranquilo, num sorriso justo, enquanto tudo ao seu redor vacila. Leva consigo, esse brasão augusto,do grande amor e da grande fé tranquila. Ele os vence sem ter ânsias e custo… Fica sereno,num sorriso justo,enquanto tudo ao ser redor vacila. Ondas interiores de grandeza,dão-lhe esta glória, em frente a natureza, esse esplendor, esse largo eflúvio. O ser que é ser, transforma tudo em flores… E para ironizar as próprias dores, canta sobre as águas do dilúvio! Que pena! O grande poeta Castro Alves, foi embora mais cedo. 

FIM DO CAP. XX

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