Chuva, descuido e irresponsabilidade

As primeiras chuvas mal chegaram e o cenário nas rodovias da região já voltou a ser o mesmo: sirenes, destruição e vidas perdidas. Desde a última quinta-feira, 30, uma sequência de acidentes graves transformou as estradas em palco de graves acidentes. Foram capotamentos, colisões, atropelamentos e até veículos em chamas. O resultado é devastador: mortos, feridos e famílias inteiras dilaceradas pela imprudência.

Na BR-354, entre Arcos e Formiga, um caminhoneiro perdeu a vida após o veículo bater em um barranco e tombar. Em Nova Serrana, um homem foi atropelado e morreu na BR-262. Em São Sebastião do Oeste, um carro capotou depois de ser atingido na traseira. Em Divinópolis, um motorista de 29 anos ficou gravemente ferido ao bater contra um poste. E, em Itaúna, o cenário mais chocante: dois carros colidiram e pegaram fogo, deixando duas pessoas carbonizadas.

Cinco dias. Cinco tragédias. Todas com causas diferentes: falha mecânica, chuva, excesso de velocidade, desatenção, mas com o mesmo fim: vidas perdidas em circunstâncias que poderiam ter sido evitadas.

Coincidência ou não, as primeiras chuvas do período chegaram junto com essa sequência desastrosa. E é sempre assim: basta o tempo virar para que as estradas revelem o quanto o brasileiro ainda insiste em subestimar o perigo. A pista molhada expõe o que há de pior: a pressa, o descuido, a confiança cega de quem acredita que o acidente nunca vai acontecer com ele.

Os números de sinistros já vinham altos antes mesmo das chuvas. Agora, a preocupação cresce. O período chuvoso mal começou e já deixou o recado: se a imprudência continuar reinando, o saldo será, mais uma vez, o de vidas interrompidas e famílias devastadas.

E o problema não é só a chuva. O problema é o comportamento. É quem dirige cansado, distraído, embriagado. É quem transforma o volante em arma. O caso registrado na MG-060, entre Pequi e São José da Varginha, é um retrato dessa irresponsabilidade: um motorista embriagado, sem carteira, perdeu o controle do carro e quase causou uma nova tragédia. O etilômetro marcou 0,59 mg/l, um número que, em outras circunstâncias, poderia ter se transformado em mais uma estatística fatal.

Com tantos casos, cresce também o medo. Há quem evite pegar estrada por receio de cruzar com um motorista bêbado, apressado ou inconsequente. O trânsito está virando uma loteria cruel, onde o erro de um pode custar a vida do outro.

Enquanto isso, seguimos naturalizando o absurdo. A cada cruz fincada à beira do asfalto, a indignação dá lugar à resignação. Acidentes que deveriam chocar passaram a ser recebidos com um simples “mais um”. Mas não é normal. Nunca será.

É preciso ação, fiscalização mais rigorosa, manutenção das rodovias, campanhas constantes. Mas, acima de tudo, é preciso consciência. Nenhuma blitz é capaz de conter a falta de empatia de quem se sente dono da pista.

O período de chuvas está apenas começando. E se os primeiros dias já foram marcados por flagelos, que pelo menos sirvam de alerta. Porque o asfalto molhado escorrega, mas o que derrapa de verdade é o senso de responsabilidade de quem insiste em achar que dirigir é uma brincadeira, quando, na verdade, é um ato muito sério e cuidadoso.

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