Da Redação
Em vigor há três meses, a medida que restringe a emissão de atestados médicos na UPA, apresenta os primeiros resultados positivos. Foi o que disse o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), em publicação nas redes sociais na última sexta-feira, 7. No vídeo, ele comentou os efeitos da decisão. São noventa dias em vigor, e segundo dados apresentados pela gestão, já provocou uma redução de aproximadamente 25% no volume de atendimentos realizados na unidade.
Vídeo
No início da gravação, o chefe do Executivo faz referência a um vídeo que viralizou recentemente nas redes sociais, em que o prefeito de Chapecó (SC) fala sobre a adoção do “atestado responsável” na cidade. Aproveitando a repercussão do tema, Gleidson destacou que Divinópolis já havia implementado medidas semelhantes desde setembro.
— Então gente, hoje o nosso problema não é a UPA. É a questão do Hospital Regional. Por quê? Hoje quem está aqui esperando dias é pelo leito hospitalar. Então bora inaugurar esse hospital aí — enfatizou.
Redução
De acordo com informações enviadas ao Agora, pela assessoria da UPA, o número de atendimentos realizados na UPA apresentou queda de 22,22%, comparando os meses de maio e outubro, quando os atendimentos passaram de 13.211 para 10.275 — uma diferença de 2.936 registros.
O diretor técnico da unidade de saúde, Marco Antônio Expedito, atribuiu a redução ao uso mais adequado dos serviços de urgência e emergência.
— Nós tivemos uma redução de aproximadamente 25% do volume absoluto de atendimento nesse período. Desafogando as clínicas todas, tanto a pediatria, quanto a clínica médica, ortopedia e cirurgia com uma queda importante e observando que os casos que chegam hoje realmente são casos que realmente precisam estar aqui — explicou.
Já o gerente assistencial da unidade, Cleverson Humberto, reforçou que a mudança contribui para um atendimento mais humanizado.
— Nossa ação visa principalmente fazer o atendimento de pacientes de urgência. A UPA está disponível 24 horas, o que dá a oportunidade de fazer um atendimento humanizado de uma forma espetacular. O atestado, ele é fornecido, ele é entregue para as pessoas que realmente precisam e assim faz a utilização do serviço da forma correta — afirmou.
Medida
A UPA de Divinópolis alterou seu protocolo de atendimento no dia 8 de setembro. Desde então, os atestados médicos só são emitidos em situações de urgência e emergência, mediante justificativa clínica e atendimento realizado. A medida tem como objetivo organizar o fluxo de assistência, reduzir atrasos e garantir atendimento ágil para os casos mais graves.
A decisão foi tomada pela Diretoria Técnica da UPA em conformidade com a Resolução nº 1.658/2002 do Conselho Federal de Medicina (CFM) e com o Código de Ética Médica, estabelecido pela Resolução nº 2.217/2018. Para os casos de acompanhamento de rotina, os pacientes devem procurar o médico assistente ou as Unidades de Atenção Básica (UBS/ESF) de referência.
Após a implementação da medida, a Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), divulgou nota explicando que a decisão segue determinação do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste (CIS-URG Oeste), responsável pela gestão da unidade. O Executivo reforçou que a medida não retira direitos dos cidadãos, mas busca organizar o atendimento e priorizar situações de maior gravidade.
— O atendimento de urgência e emergência permanece assegurado. A UPA continuará emitindo atestados médicos sempre que houver justificativa clínica vinculada a casos urgentes — destacou a nota.
Para solicitações relacionadas a tratamentos em andamento, acompanhamento ambulatorial ou documentos previdenciários, a orientação é procurar os serviços especializados da rede pública, como as UBSs e unidades de referência do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sem um hospital que atenda totalmente pelo SUS, a UPA é a única porta de entrada para pacientes da cidade e região.
