A ascensão de influenciadores e comentaristas digitais transformou o ambiente crítico da moda e isso pesou diretamente no desempenho comercial das coleções. Os desfiles de moda estão no foco dessa nova geração de observadores fashion — que atuam em um ritmo mais acelerado do que antigamente.
Para os experts, a mudança está no fato de que a crítica, antes restrita a jornalistas especializados, tornou-se pública e imediata (via redes sociais) — e acaba repercutindo (imediatamente) nas vendas.
Segundo os especialistas, a reação online a um desfile pode definir o destino de uma coleção antes mesmo de chegar às lojas. Assim, looks que viralizam geram alta demanda e recepções negativas levam a ajustes rápidos em pedidos e divulgação.
Surge, assim, um novo parâmetro de sucesso: o “sentimento digital”. O engajamento nas redes substitui parte do peso das críticas tradicionais, e marcas passam a criar coleções pensando no impacto visual, priorizando cores e formatos que funcionem bem em imagem. O desfile assume papel duplo — performance estética e ferramenta de marketing — e peças mais midiáticas garantem conversão imediata.
Esse processo tem efeitos ambíguos, pois democratiza o discurso mas acelera a obsolescência das tendências. O valor simbólico da moda, antes construído pela análise, cede espaço ao impacto do instante. Hoje, crítica e consumo se confundem — pois quem comenta também compra e quem vende precisa conquistar quem comenta.
VAIVÉM
*** O estilista Olivier Rousteing deixou a direção criativa da Balmain, após 14 anos. À frente da marca desde 2011, o designer francês modernizou a marca, aproximando-a da cultura pop e de celebridades, o que a tornou um símbolo de luxo contemporâneo. Rousteing foi um dos mais jovens e o primeiro estilista negro a liderar uma grande casa de moda em Paris. Sua estética combina alfaiataria estruturada, brilho e sensualidade, reforçada por forte presença digital.
** A marca masculina Aramis, lançou novos produtos e ampliou sua atuação para segmentos como calçados, acessórios e linha infantil. A empresa também inaugurou a marca Urban Performance, voltada ao estilo esportivo e tecnológico. As ações fazem parte da estratégia de reposicionamento da marca, que completa 30 anos e busca se consolidar como plataforma de lifestyle masculino. A expansão reflete o foco em inovação, experiência de compra e visa atender ao homem contemporâneo em diferentes ocasiões.
* PONTO FINAL: o poderoso grupo nordestino Riachuelo, registrou forte desempenho no último trimestre— com crescimento expressivo do lucro e melhora nas margens operacionais. O resultado reflete o avanço do plano de integração entre varejo de moda e serviços financeiros. O lucro antes de pagamentos de impostos, subiu mais de 14% e o lucro líquido cresceu acima de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa atribui o avanço à eficiência logística, gestão de preços e o reposicionamento da sua rede de lojas.
