Elian Ozéias
A escalada da violência em Divinópolis parece não dar trégua. Na noite de sábado, 8, mais uma tentativa de homicídio foi registrada na cidade, desta vez na rua Mateus Leme, bairro Niterói. A vítima, de 31 anos, foi atacada com duas facadas nas costas e precisou ser socorrida em estado grave para a Sala Vermelha do Hospital São João de Deus, onde permanece internada com quadro estável.
Segundo informações da Polícia Militar (PM), o crime aconteceu em um ponto conhecido como “Pontilhão”, onde a vítima atuava como olheiro. Após um desentendimento, ele foi agredido com pedradas e golpes de faca, a arma quebrou durante a ação, o que impediu o agressor de continuar o ataque.
Durante as diligências, a PM encontrou um suspeito de 30 anos, natural de São José da Laje (AL), e outro de 24 anos, de Paranaguá (PR). O primeiro foi identificado como o autor das facadas; o segundo, como cúmplice. Após consultas ao sistema, os militares descobriram que o suspeito de 30 anos, tinha um mandado de prisão em aberto e já havia sido condenado por três homicídios, além de responder por roubo, furto e ameaça.
Ambos foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil, de onde foram levados para o presídio Floramar.
Violência em alta
Com este caso, Divinópolis já contabiliza 15 tentativas de assassinato e 44 homicídios consumados em 2025, superando o total de todo o ano anterior. O aumento da criminalidade preocupa autoridades e especialistas, especialmente pela frequência dos casos violentos.
| Mês | Homicídios (2025) | Homicídios (2024) |
| Janeiro | 2 | 0 |
| Fevereiro | 6 | 2 |
| Março | 5 | 4 |
| Abril | 2 | 1 |
| Maio | 6 | 2 |
| Junho | 3 | 4 |
| Julho | 3 | 1 |
| Agosto | 4 | 2 |
| Setembro | 7 | 6 |
| Outubro | 5 | 0 |
| Total (até 10/11) | 44 | 22 |
Reflexo social
Para o cientista social Emanuel de Morais, o cenário é reflexo de um problema estrutural que vai além da criminalidade em si, envolve desigualdade, políticas públicas falhas e uma sociedade que, segundo ele, “aprendeu a naturalizar a violência”.
“O inferno são os outros”, lembra Emanuel, citando o filósofo francês Jean-Paul Sartre.
— Apontamos o mal como algo externo, mas temos dificuldade em reconhecer o problema dentro da nossa própria realidade. O modo como a violência é noticiada reforça estigmas e alimenta uma sensação de medo coletivo — afirma.
O pesquisador alerta para a necessidade de um debate mais profundo sobre segurança pública local.
— Divinópolis é o 10º município mais populoso de Minas, mas não figura entre os dez mais seguros. Os números crescem e a resposta do poder público ainda é tímida. A cidade corre o risco de assumir a etiqueta de cidade violenta, enquanto a sociedade assiste de forma passiva — conclui.
Ciclo que se repete
Os dados de 2025 reforçam uma tendência preocupante: quase toda semana há uma ocorrência de homicídio ou tentativa na cidade. A reincidência de autores com passagens criminais e a presença de foragidos de outros estados indicam falhas no controle e monitoramento penal.
Enquanto as investigações seguem, cresce o apelo por medidas efetivas. A população pede mais policiamento, mas especialistas defendem que a solução vai além da repressão: é preciso investir em prevenção, educação e oportunidades.
— A segurança não vem da exaltação da violência como forma de combate — conclui Emmanuel.
Segundo ele, ela nasce quando a sociedade entende que dignidade, justiça e presença do Estado são as verdadeiras armas contra o crime.
