LEOLINO E PÓRCIA – CAP. XXI

                   Divinópolis, 07 de novembro de 2025

Prezada Sra. Pórcia Carolina da Silva Castro,

Saudações!

Eu sei que dois séculos nos separam, mas isso não impede que eu  lhe envie essa carta. Como deve ser de seu conhecimento, os espíritos não morrem. Apenas rompem essa barreira de carne e entram em regiões diversas desse mundo sideral, criado por Deus. “…Na casa de meu Pai há muitas moradas…”. Essa frase foi dita por Jesus, se referindo aos corpos teofânicos, criados para um fim específico, dentro dos planos pré-estabelecidos, antes do tempo e da matéria. O meu objetivo, em hipótese alguma é te julgar pela fatalidade de seu caso amoroso com um homem casado. O fato foi amplamente divulgado nos jornais e comentado nas rodas familiares da época, chegando até nós com versões diferentes. Dizem alguns historiadores que as famílias eram proibidas até de conversarem com você, com medo da “moda pegar…”  O ser humano, possui o dom de aumentar ou subtrair os fatos e somente o juiz supremo, poderá julgar todas as causas, ditas, impossíveis, não é mesmo, Pórcia? Desde a sua morte, pessoas há que a condenaram ao inferno, assustando até mesmo ao príncipe das regiões sombrias. Pura maldade e especulação! Não é mesmo, Pórcia? Estou escrevendo uma série, cognominada LEOLINO E PÓRCIA, em capítulos semanais no Jornal Agora, publicado no município de Divinópolis/MG, cuja editora-chefe é a simpática  senhora Gisele Souto.  Eu a intitulei de “primeira-dama do jornalismo divinopolitano”. Por merecimento! Um amigo, perito no assunto, me disse se tratar de uma novela. Imagine Pórcia! Você se tornando a protagonista de uma novela famosa (quem sabe da Rede Globo..). Brincadeiras à parte, o que pretendo mesmo, é exercer minha função de poeta e  escritor. Eu fico imaginando, como  estava seu coração, quando todos os membros da sociedade, lançavam pedras em sua reputação e nem sequer lhe concediam a  oportunidade para se defender. Se o mesmo Jesus que perdoou Maria Madalena estivesse na Bahia nessa época, certamente ele iria à pé (obviamente…) até o lugarejo onde você estava para enxugar suas lágrimas. Ele é o mesmo, ontem, hoje e eternamente, e sempre procurava pessoas em desespero de causa, para consolar. Mas ele que conhece todos os corações, certamente, deve ter te consolado e falado no recôndito de sua alma. Permita-me, respeitosamente, tocar nessa ferida, querida Pórcia!  Naquela madrugada em que você aceitou o convite irresistível do Leolino, para fugirem em nome de uma paixão tórrida, rumo a uma região, dentro da mata virgem; a fim de viverem, dias de amor e prazer, jamais visto… Posso imaginar, não com uma visão religiosa, mas poética… Vejo as coisas não como realmente são, mas poderiam ser, sabe Pórcia? Digo com todas as letras que você não teve culpa.

Simplesmente foi arrebatada por um sentimento, jamais visto e as forças se esgotaram, diante da selvageria de Leolino que lhe jurava amor eterno. Posso te contar um segredo, Pórcia? — Homem é polígamo em sua essência biológica. Isso não quer dizer que todo homem “é galinha…”, como diz o provérbio popular, tão comum em nossos dias. Não confie muito em juras de amor, Pórcia! A pessoa, homem ou mulher, precisa provar aquilo que fala, não é mesmo? Nessa carta, eu preciso me expressar aquilo que eu penso, sem contudo ferir os princípios que regem a moralidade familiar. (Vou puxar sua orelha, Pórcia e prometo ficar somente entre nós e o Jornal Agora. kkkkk) Sua mãe não tinha diálogo com você, acerca do abismo, chamado homem? Ela nunca havia me alertado sobre os perigos da sedução? Uma mãe, sempre orienta suas filhas a não se deixarem  levar por conversas apaixonantes, né Pórcia?  Que falta de juízo, Pórcia! Você não sabia que ele era casado e que a esposa dele  iria sofrer imensamente? Porque você não procurou sua mãe e desabafou, quando percebeu o perigo “no primeiro olhar dele”? As mães existem para isso, mesmo, Pórcia. São capazes de dar a vida por seus filhos. Uma mãe enxerga de uma forma diferenciada e com certeza ela te ajudaria e poderia até, evitar o pior.). Agora é tarde para falar essas coisas. Você não está mais aqui e é muito fácil “caçar” a onça, quando ela já está morta, né? O fato é que as pessoas condenam aquilo que gostariam de fazer e não podem, por questões religiosas ou familiares. Eu sou assim, pórcia : — Se Deus me ama,o mundo inteiro pode me odiar! Segundo o livro de Apocalipse  haverá duas  ressurreições. Todos aqueles que morreram, serão ressuscitados. Uns para a vida eterna e outros para o julgamento no dia do juízo final.

Até lá, ninguém pode afirmar quem se salvará. O grande poeta italiano Dante, em sua famosa obra Divina Comédia, lança sua amada Beatrice Portinari no “Paraíso” e seu perseguidor, o papa Leão X no inferno ardente. Eu torço para você ser minha vizinha da avenida principal do Céu e quem sabe você poderá me contar essa história direito, viu?

Um abraço! Até lá…

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