Exportações de carne suína batem recorde

Resultado reforça força do agronegócio; com receita de US$ 3,046 bilhões até outubro, o setor cresceu 22,7%

Jorge Guimarães 

Em meio à crise enfrentada por diversos setores da economia, impactados pelo recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a suinocultura desponta como uma exceção positiva. O segmento vive um momento de destaque nas exportações, impulsionado pela crescente demanda internacional e pela consolidação do Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína animal.

Resultados 

Enquanto muitos ramos ainda buscam se adaptar às novas barreiras comerciais, o setor de carne suína registrou avanços expressivos em 2025. Entre janeiro e outubro, o volume exportado cresceu 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 1,266 milhão de toneladas. Já a receita subiu 22,7%, totalizando US$ 3,046 bilhões, superando inclusive o valor obtido em todo o ano de 2024. Resultados estes divulgados nesta segunda-feira, dia 10, pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que reforçam a eficiência e a competitividade do agronegócio brasileiro, especialmente da cadeia suinícola, que vem ampliando mercados, investindo em tecnologia e fortalecendo sua imagem pela qualidade do produto. Assim, mesmo em um cenário global desafiador, o setor se consolida como um dos pilares das exportações nacionais, garantindo divisas importantes para o país e demonstrando a força do campo brasileiro diante das adversidades econômicas.

Desempenho positivo

E mediante aos números atuais, o economista Lázaro Ribeiro avaliou positivamente o desempenho das exportações de carne suína brasileira em 2025, que seguem em trajetória de alta, mesmo diante das incertezas globais e dos impactos provocados pelos recentes tarifaços impostos pelos Estados Unidos. 

— Esse desempenho mostra a força do agronegócio brasileiro e, em especial, da cadeia suinícola, que tem conquistado novos mercados e mantido uma competitividade sólida, mesmo com as oscilações no comércio internacional — destacou Lázaro Ribeiro.

O economista lembrou ainda que a alta na receita é resultado não apenas do aumento do volume exportado, mas também da valorização do produto brasileiro em mercados estratégicos. 

— Há uma combinação favorável de fatores, custo de produção controlado, qualidade reconhecida e ampliação de parcerias comerciais, que impulsionam os números do setor — explicou.

Para Ribeiro, o bom momento da suinocultura nacional reforça o papel do Brasil como um dos principais fornecedores de proteína animal do mundo. 

— Enquanto diversos setores sentem os efeitos das políticas protecionistas, o segmento de carne suína mostra resiliência e capacidade de adaptação, consolidando o país como um protagonista no cenário global — concluiu.

Destinos

As Filipinas seguem firmes como o principal destino da carne suína brasileira em 2025, consolidando-se como um dos mercados mais importantes para o produto nacional. Logo atrás aparecem Chile e Japão, que também ampliaram suas compras ao longo do ano. O destaque fica para o Chile, que registrou um crescimento expressivo nas importações e, nos meses de julho e agosto, chegou a ultrapassar a China em volume de embarques, um feito que evidencia a diversificação e o fortalecimento dos parceiros comerciais do Brasil.

Estados do Sul

No cenário interno, os estados do Sul continuam sendo os grandes protagonistas das exportações. Santa Catarina mantém a liderança absoluta, posição conquistada graças ao alto padrão sanitário, tecnologia avançada e qualidade reconhecida da produção local. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul e Paraná, ambos com participação significativa no desempenho nacional e responsáveis por impulsionar o recorde histórico de receita do setor neste ano.

Mercado 

Com o aumento dos preços da carne bovina e o bom momento vivido pela suinocultura, muitos consumidores têm repensado seus hábitos de compra e encontrado na carne suína uma alternativa mais acessível e saborosa. Nas prateleiras dos supermercados, o reflexo dessa mudança já é visível, com maior procura por cortes como lombo, pernil e bisteca.

A dona de casa Maria Aparecida Silva conta que passou a substituir parte do consumo de carne bovina pela suína. 

— Antes eu comprava mais carne de boi, mas o preço está lá  nas alturas. Hoje, faço mais receitas com carne de porco, é mais barata, saborosa e rende bem nas refeições — comenta.

O pedreiro João Batista Ferreira também aprovou a troca. 

— A carne suína tem um preço melhor e, com os temperos certos, fica deliciosa. Aqui em casa, o pernil e a linguiça viraram presença garantida no fim de semana — afirma.

De acordo com o gerente de um supermercado local, Sérgio Antônio de Oliveira, as vendas de carne suína realmente cresceram nos últimos meses. 

— Percebemos um aumento consistente na procura, especialmente por cortes mais magros e versáteis. O consumidor está buscando qualidade com preço justo, e a carne suína tem atendido muito bem a essa expectativa — explica.

Para ele, além do custo mais atrativo, a mudança de percepção sobre o produto também tem impulsionado as vendas. 

— Hoje, o consumidor enxerga a carne suína como uma opção saudável e saborosa, ideal para o dia a dia. Isso fez o setor ganhar força, tanto nas gôndolas quanto nas exportações — conclui.

Ótima opção

Com o sobe e desce nos preços da carne bovina, muitos restaurantes têm buscado alternativas para manter a qualidade dos pratos sem pesar no bolso do consumidor. Entre as opções mais valorizadas está a carne suína, que vem ganhando destaque nos cardápios por sua versatilidade, sabor e custo mais acessível.

Em um tradicional, por exemplo, a parmegiana de carne suína tem feito sucesso entre os clientes. 

— O prato é preparado com lombo ou bisteca desossada, e o resultado é surpreendente. O sabor é leve, o preparo é rápido e o preço final é bem mais atrativo que o do filé mignon — explica  Rafael Costa, responsável pelo menu.

Segundo ele, a diferença de valor pode chegar a 30% a 40%, tornando o prato mais competitivo e acessível. 

Para Rafael, a mudança não é apenas econômica, mas também cultural. 

— O consumidor está mais aberto a provar novas versões de pratos tradicionais, e a carne suína tem conquistado esse público com sabor, textura e preço justo — concluiu.

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