“Todo dia a mesma coisa”… Este trechinho da música interpretada por Leandro & Leonardo, pode ilustrar bem a realidade diária da safadeza no Brasil. Não há uma só manhã, em que o país não amanheça com uma operação em andamento. Desta vez, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam um esquema que teria desviado recursos públicos destinados ao atendimento das vítimas das enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. A operação, batizada de “Lamaçal”, e bota sujeira nisso, foi realizada nesta terça-feira 11 e apura irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Lajeado, no Vale do Taquari. Segundo as investigações, o desvio acontecia por meio de contratações diretas superfaturadas, se aproveitando, é claro, estado de calamidade pública — que permite a dispensa de licitação em situações emergenciais. “Nadaram de braçada”. Certeza que seriam descobertos, todos tinham. Porém, para que se preocupar se a impunidade rege este país mais do que as leis?
Cifra milionária
Como os corruptos se aproveitam de situações como esta, a prefeitura contratou uma empresa para fornecer serviços terceirizados de psicólogos, assistentes sociais, educadores e motoristas. No entanto, dados da CGU mostram que os valores pagos estavam acima do preço. Há indícios de que o contrato tenha sido direcionado para beneficiar o grupo empresarial investigado, que teriam movimentado um montante em torno de R$ 120 milhões. Dizer o quê? A sem-vergonhice e a covardia são tão grandes, que faltam palavras.
Para famílias afetadas
O desvio de conduta, o “quanto mais tenho, mais quero”, a falta de caráter, chegaram a tal ponto, que o pensar no outro, esvaiu-se. Este caso, prova isso. Os recursos desviados vieram do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), destinado a financiar ações emergenciais após a tragédia que devastou o estado, e deveriam ter sido usados em programas de acolhimento e apoio às famílias que perderam casas e meios de subsistência. Não há como esquecer as imagens das águas levando tudo que viam pela frente no ano passado, em uma das maiores enchentes que o Rio Grande do Sul enfrentou, com mais de 170 mortos e milhares de desalojados. Mas, isso para quem coração. Não é o caso desses “vagabundos corruptos” que só pensam em dinheiro. Provavelmente, vão levar tudo, “quando partirem desta para melhor” para ajudar a prestar conta de tamanha covardia. Com a palavra, a Prefeitura de Lajedo.
Investigação ameaçada
Ainda sobre política e as ações incansáveis da Polícia Federal, a corporação emitiu, na noite desta segunda-feira, 10, uma nota pública que expressa certa preocupação com as mudanças feitas pelo relatório do deputado federal Guilherme Derrite (PP) e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo no Projeto de Lei Antifacção. A direção da PF cita, em específico, um trecho que determina que operações realizadas pela PF dependeriam de solicitação de governos estaduais, o que, segundo o texto, “constitui um risco real de enfraquecimento no combate ao crime organizado”. Será porque ele cita os governos dos Estados? Sua admiração e proximidade a Tarcisio de Freitas (Republicanos), prefeito de onde? E, além disso, é possível candidato à reeleição. Não é à toa a preocupação do PT, quando foi escolhido o relator. É “agir por trás dos panos”, mesmo quando assunto é de grande relevância e de total interesse público.
Risco real
“Pelo relatório apresentado, o papel institucional histórico da Polícia Federal no combate ao crime — especialmente contra criminosos poderosos e organizações de grande alcance — poderá sofrer restrições significativas. A execução de operações pela Polícia Federal dependeria de solicitação do governo estadual da região investigada, o que constitui um risco real de enfraquecimento no combate ao crime organizado”, pontua a nota, que a partir de agora, preocupa não somente a PF, mas toda a população, especialmente, aquela ameaçada pelas organizações criminosas. Ainda mais, pelo fato de existirem supostas “extinções” de competências da polícia que que vem atuando incansavelmente no combate ao crime em todas as esferas neste país. Ou seja: ao invés de avançar, o brasileiro será obrigado a assistir um retrocesso no enfrentamento aos crimes praticados por organizações criminosas, como corrupção, tráfico de drogas?

