Da Redação
A Polícia Civil de Minas Gerais realizou uma das maiores apreensões de produtos falsificados já registradas na região Centro-Oeste mineira. Mais de 23 mil pares de calçados contrafeitos, além de insumos e embalagens com logotipos de marcas conhecidas, foram recolhidos em Nova Serrana, durante uma operação conduzida pela 2ª Delegacia Especializada em Investigação de Fraudes (Deccof).
A ação, deflagrada nesta segunda-feira, 10, mobilizou cerca de 30 policiais civis e cumpriu oito mandados de busca e apreensão em pontos de produção, armazenamento e distribuição de calçados falsificados. Segundo a PC, o esquema operava de forma organizada e profissional, com estrutura voltada à fabricação irregular e ao uso indevido de marcas registradas.
Prejuízo milionário
Foram apreendidos 23.308 pares de calçados, 256 sacos de insumos (como solas, palmilhas, cabedais e tiras) e 3.250 embalagens que imitavam a identidade visual de grandes fabricantes. O material foi entregue aos representantes legais das marcas vítimas, que ficarão responsáveis pela guarda e destinação adequada dos produtos.
As investigações indicam que as fábricas clandestinas atuavam em um sistema estruturado de pirataria, reproduzindo calçados populares de marcas internacionais e nacionais conhecidas, e os distribuíam em larga escala para diversos estados brasileiros. Além de lesar as empresas detentoras das marcas, o esquema também causava prejuízos ao fisco e ao comércio legal.
Ainda conforme a Polícia Civil, a operação faz parte de um esforço contínuo para combater crimes contra a propriedade industrial e reprimir a concorrência desleal, práticas que afetam diretamente a economia local e o mercado formal de Nova Serrana, conhecida nacionalmente como o maior polo calçadista de Minas Gerais.
Ligações interestaduais
A descoberta reforça as suspeitas de que o município a 45 quilômetros de Divinópolis tem sido uma das principais origens de produtos falsificados apreendidos em outras regiões do país. Em outubro, a Receita Estadual do Rio Grande do Sul, em conjunto com a Polícia Civil gaúcha, concluiu a terceira fase da operação “Fronteira”, que resultou na apreensão de mais de 30 mil pares de tênis falsificados, todos fabricados em Nova Serrana.
No total, mais de 80 mil pares já foram recolhidos nas três fases da operação, que mirou o transporte de cargas irregulares enviadas de Minas Gerais para o Sul do país. As mercadorias eram distribuídas por transportadoras em Porto Alegre, Novo Hamburgo e Lajeado, e vendidas como originais, o que representava um grave caso de sonegação fiscal e fraude comercial.
A Receita Estadual estima que 1,5 milhão de pares de calçados falsificados entrem anualmente no Rio Grande do Sul, uma parte significativa deles com origem em Nova Serrana.
Crime organizado
Conforme apurado pela PC, a fabricação clandestina movimentava milhões de reais por ano, explorando mão de obra informal e burlando o recolhimento de impostos. A produção acontecia em galpões discretos, muitas vezes em áreas residenciais, com equipamentos industriais e logística própria de distribuição.
A Polícia Civil informou também que as investigações continuam para identificar os responsáveis pelo esquema e que novas ações estão previstas nos próximos meses.
Nova Serrana, que há décadas construiu sua reputação como o coração da indústria calçadista mineira, enfrenta agora o desafio de se desvincular da imagem de centro da falsificação, um estigma que ameaça não apenas sua economia, mas também a credibilidade de centenas de fabricantes que atuam de forma legal e responsável.
