Da Redação
Uma operação conjunta entre a Vigilância Sanitária com Polícia Militar (PM), Polícia Civil (PC), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semds) e o Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad), na manhã desta quarta-feira, 12, resultou no fechamento de duas clínicas clandestinas terapêuticas e de reabilitação em Ermida. As ações ocorreram após denúncias de maus-tratos, violação de direitos humanos e falta de condições mínimas de higiene e infraestrutura nas instituições que atendiam exclusivamente mulheres.
De acordo com as equipes de fiscalização, uma das clínicas abrigava cerca de 20 acolhidas e a outra, 30, algumas delas encaminhadas contra a própria vontade, sem qualquer respaldo judicial. Nos locais, a cerca de 6 quilômetros de Divinópolis, as autoridades constataram situações de extrema precariedade, ausência de alvarás de funcionamento, falta de camas e chuveiros, ausência de água e relatos de ameaças constantes e maus-tratos. Em uma das unidades, uma das internas chegou a tentar fugir, o que reforçou a gravidade da situação.
Operação arrebatadora
O vereador Matheus Dias (Avante), que acompanhou pessoalmente a operação, destacou que o município não tolerará instituições que desrespeitem a dignidade humana sob o pretexto de acolhimento.
— Divinópolis não vai aceitar a violação de direitos humanos. Eu defendo instituições sérias, que cuidam, acolhem e transformam a vida, não as que exploram e maltratam pessoas em situação de vulnerabilidade — afirmou.
O vereador ainda descreveu o processo que levou até a operação desta quarta-feira.
— Recebemos várias denúncias de maus-tratos e, por isso, reunimos todas as forças de segurança, a Vigilância Sanitária e as equipes de saúde mental e assistência social para encerrar as atividades dessas clínicas irregulares — destacou.
Ao lado de Dias, o também vereador Walmir Ribeiro (PL) reforçou o caráter desumano das condições encontradas nas clínicas e ressaltou a importância da atuação fiscalizadora do poder público.
— É desumano o que vimos aqui hoje. Essas pessoas estão sendo tratadas de forma degradante. Vamos acompanhar o caso até que as famílias sejam notificadas e que cada paciente receba o atendimento adequado — declarou.
A operação constatou que as instituições funcionavam sem qualquer registro legal ou autorização sanitária. Em uma delas, a equipe encontrou pessoas idosas e mulheres com transtornos mentais que haviam sido retiradas de suas casas de maneira forçada. Segundo relatos, portas foram arrombadas durante remoções realizadas por responsáveis pela clínica, que alegavam estar “resgatando” as mulheres para tratamento.
Irregularidades levam a suspensão
A Vigilância Sanitária confirmou que ambas as clínicas tiveram suas atividades imediatamente suspensas, e os responsáveis poderão responder por maus-tratos, cárcere privado e exercício ilegal da profissão. Uma delas foi interiditado pelo órgão em 2003, enquanto a outra em junho de 2025. As pacientes estão sendo encaminhadas a serviços públicos de saúde e acompanhamento social.
Para Matheus Dias, a fiscalização deve ser permanente, e o caso deve servir de exemplo para evitar que novas instituições clandestinas se estabeleçam na cidade.
— Divinópolis não dará espaço para quem viola direitos humanos. Temos clínicas e comunidades terapêuticas sérias, que merecem ser respeitadas, mas também precisamos denunciar quem usa o sofrimento das pessoas como forma de lucro e exploração — afirmou.
A barbárie torna-se frequente
As autoridades envolvidas informaram que as investigações prosseguem para identificar os responsáveis e verificar se há outras clínicas irregulares operando na região. O episódio, segundo elas, reforça a necessidade de fiscalização constante e de políticas públicas efetivas de acolhimento e tratamento, para que situações como essas não voltem a se repetir.
O caso, que chocou a comunidade local, expõe um grave problema nacional: a proliferação de clínicas de reabilitação irregulares, muitas vezes abertas sem qualquer controle técnico, e que acabam se tornando verdadeiros depósitos humanos, violando direitos básicos sob o disfarce da recuperação.
Enquanto as investigações continuam, as autoridades municipais prometem reforçar a vigilância e monitorar o funcionamento de instituições de acolhimento e comunidades terapêuticas em todo o município, garantindo que apenas as entidades legalmente constituídas e fiscalizadas possam continuar atuando.
— Nosso papel é proteger vidas, não permitir que o sofrimento alheio seja explorado — concluiu Matheus Dias.
