Pelo cenário de bastidores apresentado até o momento, Divinópolis mais uma vez, terá uma eleição com muitos candidatos e poucos eleitos. Situação que vem se repetindo, pelo menos nas duas últimas eleições proporcionais, especificamente, os candidatos a deputado estadual e federal. Lamentável uma cidade deste tamanho ser representada apenas por três parlamentares, enquanto outras menores, têm 4, 5 e até 6. Tudo por quê? A tal da vaidade. Como se não bastasse isso, tem a pressão dos diretórios por se fazer representados, o aparecer pensando em um próximo cargo no município; e claro: o fundo eleitoral.
Quantos?
Uns dez, no mínimo. Isso, os divinopolitanos os que se sentem assim, pelo fato de terem adotado a cidade como “mãe”. como Domingos Sávio e Lohanna França. Tanto que, são tidos como políticos da cidade. Na disputa de 2026, os dois estarão no páreo. Lohanna vai tentar uma vaga na Câmara Federal, e Sávio ainda não cravou se brigará uma cadeira no Senado. Além deles, Eduardo Azevedo, que deve buscar à reeleição, Gleide Andrade, que tenta se eleger pela primeira vez, Laíz Soares, provavelmente adversária direta de Eduardo Azevedo, os vereadores Josafá Anderson e Flávio Marra, além de outro da Casa, que pode aparecer como surpresa. Só aí já são oito. Sem falar que possíveis nomes, como do ex-deputado Jaime Martins, ainda não descartam a possibilidade. Cleitinho Azevedo não entra na lista, pois está no grupo da majoritária, além disso pode concorrer a um cargo idem, que é o governo de Minas. Feita a análise local, é preciso lembrar ainda dos paraquedistas, pousam por aqui, tiram os votos que poderiam eleger um candidato local, e depois, não destinam um centavo para o município. É o caso de Níkolas Ferreira, o mais votado em Divinópolis nas últimas eleições. Pesquise quanto ele mandou, ou seja: a divisão de votos não é só com a quantidade exagerada de candidatos da cidade, mas com os de fora. Aí, já viu. O resultado é o mesmo de sempre.
Disputas pessoais
O resultado de tanta gente inflada de ego — que entra na política, não por entender ou gostar —, é a falta de um debate político que deveria se concentrar nas necessidades do povo. Onde está o foco na construção de projetos de gestão e governança destinados para o bem comum, criação de empregos, projetos que dê dignidade aos idosos, melhoria da qualidade de vida, totalmente substituído por disputas pessoais? O que se vê no meio é excesso de autoafirmação, como “eu não preciso de apoio”, “me garanto”, “sou melhor”, e por aí vai. Será isso que os eleitores anseiam dos seus líderes? Na verdade, o “poder” contaminou a política e o “patrão”, que é o povo, tornou-se mero espectador do circo armado a cada dia em que acontecem sessões nas casas legislativas. No entanto, alguns precisam colocar as “barbas de molho”, porque tem muita gente cansada de tanta “sacanagem” e pode dar o troco na hora certa. 2026 bate à porta.
Vacilo e ego
Por falar do que permeia o mundo político atualmente, pode se ilustrar com uma situação em Divinópolis. O vereador Vitor Costa (PT) publicou um vídeo na semana passada, e deixou a entender ser o único defensor dos estudantes, trabalhadores, servidores e do meio ambiente. Uma retórica que se faz pensar que os demais são indiferentes, e não é, pois ele próprio sabe que nenhum projeto avança sem diálogo — inclusive com a base do prefeito, tida como oposição. Em pleno 2025, é preciso lembrar que política não se faz com público imaginário, nem com um certo ar de superioridade. Vale ressaltar ainda, se levando em conta, se tratar do primeiro mandato, que humildade e bom senso cabem em qualquer lugar. Na política então, é primordial. E isso não é exclusividade do petista na Casa, infelizmente. Tem mais uns três, que se acham “a última bolacha do pacote”! No entanto, é preciso cautela, ela costuma se quebrar com muita facilidade.
Fora de caixa
Por isso, a importância de acompanhar as reuniões da Câmara e o trabalho até mesmo dos políticos com os quais não se tem afinidade. Quem vê apenas os recortes publicados nas redes sociais assiste apenas o que o político quer, onde ele aparece como o melhor e único salvador da pátria. Isso vale para todas as esferas—federal, estadual e municipal. É preciso entender o contexto e ter uma visão macro da política para que o eleitor chegue em 2026 preparado para fazer a escolha mais adequada à sua visão de tudo. Infelizmente, o mundo digital tem sido contaminado por discursos inflamados que, na prática, não resolvem as mazelas do cidadão. É claro que o eleitor que votar em alguém alinhado à sua ideologia, porém é fundamental pensar na capacidade deles de propor políticas públicas. Afinal, muitos falam e poucos fazem.

