José Carlos de Oliveira
Por pedido (sugestão) do América, um dos finalistas da competição, a final do Campeonato Mineiro Feminino deste ano, que acontece em jogos de ida e volta contra o Cruzeiro, é disputada com a presença de torcedores apenas dos times mandantes.
No jogo de ida, que foi realizado no último sábado, na Arena Independência, com mando das Spartanas, apenas a torcida do América pôde assistir, visto que a diretoria do Coelho liberou a entrada de apenas 250 sócios torcedores.
E deu no que deu, com o tiro saindo pela culatra. Agora no próximo fim de semana, apenas torcedores da Raposa poderão acompanhar o jogo de volta e devem lotar o estádio, quebrando o recorde de público no campeonato.
Justificativa
Para os dirigentes do América, ter torcida nos dois jogos faria o Cruzeiro ter vantagem na decisão, já que a China Azul apoia o futebol feminino e seria maioria nos dois jogos. E neste ponto, eles têm lá suas razões, mas seu medo da torcida jogou foi contra o seu próprio time, que tomou um banho de bola das Cabulosas, foi goleado por 4 a 0, e praticamente deu adeus ao seu sonho de título.
Tetra mais perto
E nem adianta reclamar agora, e muito menos ressuscitar o “mantra” do Eu Acredito, de um dos seus rivais, porque reverter o resultado é um sonho difícil. Seria como acreditar em ganhar a Mega Sena. Possível, sim, mas difícil de se tornar realidade.
É certo que já conseguiram este feito frente o Atlético nas semifinais: perderam por 4 a 0 na ida, e devolveram o placar na volta, se classificando para a decisão nos pênaltis, mas agora as circunstâncias são outras. E o adversário também é bem mais forte.
Ainda não perdeu
Para se ter uma noção do tamanho da enrascada em que se meteram, os dirigentes do Coelho podem apenas dar uma olhadinha nos números. Então verão que o placar que as Spartanas precisam construir na partida de volta é algo que as Cabulosas ainda não sofreram este ano. Nas únicas derrotas que tiveram em 2025, que foram apenas quatro, duas foram por 0 a 1, uma por 2 a 4 e a outra por 1 a 3, nunca por uma diferença de 4 ou mais gols, que é o que o América precisa fazer no próximo fim de semana.
Falando nisso
E para não passar batido, é bom analisar um pouco, e com atenção, como foi o jogo do fim de semana. Este ano as Cabulosas mostraram um grande futebol na disputa do Brasileirão Feminino, quando perderam o título para o Corinthians, ficaram com o vice-campeonato e se classificaram para a Copa Libertadores do próximo ano. Mas no Mineiro ainda não haviam mostrado aquilo que sabem e podem jogar. Porém, no sábado, as coisas voltaram ao seu devido lugar.
Em sua melhor apresentação no estadual deste ano, as meninas do Cruzeiro colocaram as americanas na roda, golearam por 4 a 0 e poderiam ter construído até um placar mais elástico. Um detalhe que pode parecer pequeno para alguns, mas que dá bem a dimensão da enrascada em que as Spartanas se meteram.
Foto: Gustavo Martins/Cruzeiro
Lelê está sobrando
E uma jogadora deste time da Cabulosas merece, sim, um destaque especial. Ser artilheira de um campeonato é um sonho que muitos podem construir, mas nunca, em tempo algum (a não ser o Toninho Ermida) se viu falar de um jogador que tenha se tornado artilheiro com uma média de dois gols por jogo, que são os números da camisa 9 das Cabulosas. Ela já balançou as redes 16 vezes em apenas oito partidas disputadas, e pode aumentar ainda mais este número, se voltar a marcar na decisão do próximo fim de semana.
