José Carlos Ramos
Divinópolis, 18 de abril de 2026
Saudações e beijos mil!
A neve está caindo em nossos cabelos… recordemos um pouco de nossa história de amor: 24 de dezembro de 1976… éramos jovens e completamente apaixonados. Não havia outra alternativa, senão nos unirmos pelos laços sagrados do matrimônio. Sempre foste uma mulher séria, meu bem. No entanto, seu coração e mente ferviam como um vulcão à procura de alguém que te completasse em todos os aspectos. Então eu surgi em uma linda noite. A lua parecia adivinhar aquele momento. Brilhava com a intensidade do sol. Eu a olhei pela primeira vez… seus olhos meigos cruzaram com os meus, e o amor iniciava o seu trabalho de parto. Parto normal, é claro. Foi tão fácil te amar, Marita. Aqueles lábios me convidavam para conhecer o néctar perdido de minhas ilusões. Algo dentro de mim dizia:
— Para falar de amor, correntes marítimas trouxeram-me aqui! Não sou mais pobre. Com tua beleza, me enriqueci.
Nascia o amor, desafiando tudo. Algumas pessoas diziam: — Que loucura é essa? Dois jovens, na flor da idade, se preparando para casar… Que loucura é essa? Vejam quantos casais que juravam amor eterno e agora estão longe um do outro, como o oriente do ocidente e, em alguns casos, se tornaram rivais? Lembra-te de fulano e beltrano? Tudo em vão! Tais palavras não caíam em solo fértil. Pelo contrário, eu estava cônscio da lucidez de minhas decisões. Queria me casar. Ter a total segurança de que serias minha em dias e noites sem fim. Que felicidade quando aceitaste a intensidade de minhas explosões solares de amor jamais visto. Que noite feliz, querida, quando pedi tua mão em casamento, mesmo não tendo casa própria e ganhando apenas um salário mínimo! Por ti, eu trabalharia dia e noite, se preciso fosse, em serviços braçais de humilhações tamanhas. Por ti, eu enfrentaria todos os leões de frente. Assim aconteceu. Lembra-te? Chegava do trabalho banhado de suor e com um cansaço extremo, mas quando os teus olhos cruzavam com os meus, ao abrir o portão, todas as minhas dores melhoravam e meu amor incandescia. Falavas pouco, mas seus braços abertos me convidavam para o banquete do amor.
Lembro de tudo, com riqueza de detalhes. Lembra-te de quando me disseste, em plena lua de mel: — Amor, um futuro radiante te aguarda no alvorecer? Aquela profecia se cumpriu, amor! Comecei a escrever com o dom que eu tinha de ver acima das montanhas. Rapidamente, tudo de bom começava a acontecer. Fui convidado para trabalhar como servidor público municipal e, para completar minha alegria, fui trabalhar onde sempre sonhei: na Biblioteca Pública Municipal “Ataliba Lago”. Não demorou muito e, após a publicação de meu primeiro livro, me tornei um imortal da Academia Divinopolitana de Letras, ocupando a cadeira de número 15, outrora pertencente à saudosa escritora Nylce Mourão Gontijo. Hoje pertenço também à Academia de Letras de São João del-Rei e ao Instituto Histórico e Geográfico de SJDR. Também, com seu incentivo, me tornei colunista semanal do Jornal Agora. (Imagine, quanta honra!…) Agora estou me preparando para publicar minha primeira novela literária, intitulada LEOLINO E PÓRCIA — SANGUE E PAIXÃO NO SERTÃO BAIANO. Venho agradecer a ti, meu grande amor, por sua paciência em tempos tempestuosos. Te agradecer pelos braços sempre abertos e sempre crendo em meu triunfo. Essa carta é escrita para te agradecer por tudo. Segue meu poema, escrito em meu livro Uma noite sem ela:
Marita! Perdão pelo amor apenas infinito! Pelo silêncio diante do abismo.
Pelo grito aprisionado na manhã. Atravessarei mulheres belas.
Tua carne supera a polpa das maçãs.
Tuas pernas, presságios de mil noites preciosas…
Teus olhos cravaram em mim a última lança.
Morro de amores. E teus seios? Pérolas guardadas para meu delírio.
E tua boca supera meu desejo, que é lírio.
Obrigado, meu único e grande amor, Marita!
ASSINADO — João Carlos Ramos

