A política mineira entrou oficialmente na fase em que as dúvidas começam a dar lugar às definições. Ainda existem negociações, conversas de bastidores e espaços para reviravoltas, mas o calendário eleitoral avança e deixa cada vez menos espaço para quem ainda tenta adiar decisões. A partir da próxima segunda-feira, 20, começa o período das convenções partidárias. Até 5 de agosto, as legendas precisarão definir oficialmente seus candidatos para a disputa de outubro. Depois disso, até 15 de agosto, será a vez do registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Na prática, o tempo de “vamos conversar mais para frente” está acabando.

Patrus mais perto

Em Minas Gerais, a principal dúvida do campo da esquerda parece caminhar para uma definição. A cúpula nacional do PT passou a tratar a candidatura de Patrus Ananias ao Governo de Minas como uma possibilidade cada vez mais concreta. O deputado federal, que inicialmente dizia estar concentrado na tentativa de reeleição para a Câmara, agora avalia disputar o Palácio Tiradentes. O encontro com o presidente Lula aparece como o último passo dessa construção. Dentro do PT nacional, a conversa é vista como simbólica. Já entre os petistas mineiros, ela tem um peso maior: Patrus quer saber qual será o tamanho do comprometimento do partido com uma candidatura em um dos estados mais estratégicos do país. E faz sentido. Uma disputa pelo Governo de Minas não é apenas uma eleição estadual. O estado tem peso nacional e qualquer movimento por aqui influencia diretamente o tabuleiro de Brasília.

Minas ainda monta o tabuleiro

Enquanto o PT se movimenta, o outro lado também tenta organizar suas peças. A possível candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos) segue como uma das principais incógnitas. O senador ainda não confirmou a decisão, mas o cenário político já trata sua entrada na disputa como algo cada vez mais provável. O PL, por sua vez, observa o movimento. Terá candidatura própria ou caminhará junto com o senador? Essa resposta também depende do desenho nacional da direita. O fato é que Minas começa a deixar para trás a fase das especulações. Os próximos dias serão decisivos. 

Já está decidido?

No cenário nacional, a pergunta é parecida: a eleição já está encaminhada ou ainda existe espaço para mudanças? A pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra o presidente Lula à frente nos principais cenários de segundo turno. Contra Flávio Bolsonaro, o petista aparece com 45%, contra 37% do senador. Mas eleição não se ganha em julho. O histórico recente mostra que pesquisas antecipadas funcionam muito mais como fotografia do momento do que como sentença definitiva. Ainda existe tempo para mudanças, alianças, crises e movimentos capazes de alterar o cenário. O dado mais interessante talvez esteja justamente aí: 35% dos entrevistados disseram que ainda podem mudar de voto. Ou seja, apesar de muitos eleitores já demonstrarem uma decisão consolidada, uma parcela significativa ainda está observando. E, em uma eleição apertada, esse grupo pode ser decisivo.

O preço da disputa

Além da disputa eleitoral, o governo Lula enfrenta outro desafio: o impacto político e econômico do novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. A confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano abriu mais uma frente de desgaste. O tema rapidamente entrou no debate político. O governo brasileiro classificou a medida como um “marco lastimável” e anunciou que pretende recorrer aos mecanismos internacionais e à Lei de Reciprocidade. A oposição, por outro lado, tenta transformar o episódio em argumento contra o governo. Mais uma vez, a economia vira combustível para a política. O impacto real da medida ainda dependerá dos detalhes da aplicação e dos setores atingidos, mas uma coisa é certa: em ano eleitoral, qualquer problema que chega ao bolso do cidadão ganha uma dimensão muito maior.

Lucas Maciel

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

DEIXE UM COMENTÁRIO