Da redação
A reunião da Comissão de Justiça, Legislação e Redação da Câmara Municipal de Divinópolis, realizada no último dia 4, se transformou em um palco de controvérsias e revoltas. O motivo: declarações do pastor Wilson Botelho, diretor do Projeto Quero Viver, que proferiu falas consideradas ameaçadoras e discriminatórias contra pessoas em situação de rua.
Diante da gravidade do conteúdo, a deputada estadual Lohanna França (PV) protocolou nesta terça-feira, 9, representações formais no Ministério Público, no Ministério do Desenvolvimento Social e no Ministério dos Direitos Humanos contra o religioso. Em uma das falas registradas, o pastor afirma que “iria dar dois tiros na cabeça” de um morador de rua, causando imediata reação de indignação de parlamentares, ativistas sociais e da sociedade civil.
Pedido de ações legais
Além das representações, a deputada também encaminhou um ofício ao presidente da Câmara, vereador Israel da Farmácia (PP), solicitando que a mídia integral da reunião seja enviada às autoridades competentes, com o objetivo de permitir a apuração e responsabilização do autor das declarações.
— Não podemos aceitar que o plenário da Câmara seja utilizado para disseminar ódio, violência e ameaças a quem mais precisa de acolhimento — afirmou Lohanna.
Segundo ela, é urgente garantir que as instituições ajam diante de discursos que atentam contra a dignidade humana e violam princípios constitucionais.
Nota da Câmara
Diante da repercussão, a Câmara emitiu nota oficial, também nesta terça-feira, 9, repudiando as falas do pastor Wilson Botelho. No documento, o Legislativo classifica as declarações como “inaceitáveis, repugnantes e incompatíveis com os valores de uma sociedade democrática”.
— A retórica de coerção que transforme ações de acolhimento é grave e desumaniza cidadãos que merecem atendimento, políticas públicas e respeito — diz o texto.
A Câmara também afirma não compactuar com incentivos à violência, intimidação ou qualquer forma de expulsão sumária de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Clima de tensão
O caso amplia o debate sobre o tratamento dado à população em situação de rua em Divinópolis. A cidade, como tantas outras no Brasil, enfrenta desafios relacionados à inclusão social, moradia e saúde mental. Para especialistas e defensores dos direitos humanos, ações como essa evidenciam um retrocesso nas políticas públicas e incentivam a intolerância.

