Da Redação
A interrupção da Polícia Militar na festa universitária “Amnésia”, realizada no parque de exposições de Divinópolis, gerou ampla repercussão nas redes sociais. O evento, voltado exclusivamente para maiores de idade e realizado regularmente desde 2019, foi encerrado antes do horário previsto após denúncias de perturbação do sossego, gerando questionamentos por parte da organização e dividindo opiniões entre moradores e autoridades.
Realizada na tarde de sábado, 18, a festa tinha início às 16h e término programado para 23h, período que, segundo os organizadores, estaria dentro dos limites permitidos para emissão de som. A ação policial ocorreu por volta das 21h e levou ao encerramento antecipado das atividades, mesmo com a apresentação de alvarás e demais documentos exigidos para a realização do evento.
O caso rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e provocou manifestações de diferentes setores, incluindo posicionamentos políticos e cobranças por esclarecimentos sobre os critérios adotados na intervenção.
Intervenção da Polícia Militar
A Polícia Militar informou que a ação foi motivada por diversas denúncias de perturbação do sossego. Conforme os militares, o evento apresentava som em volume elevado e reprodução de músicas com conteúdo considerado impróprio, com apologia ao uso de drogas e letras de cunho sexual.
Durante a abordagem, os organizadores foram orientados a cessar imediatamente as irregularidades, determinação que foi acatada. Ainda no local, um homem de 29 anos, com registros anteriores por perturbação do trabalho e do sossego alheio, foi abordado e conduzido à Delegacia de Polícia Civil.
Organização contesta
A organização da festa “Amnésia” contestou a atuação da Polícia Militar e afirmou que o evento cumpria todas as exigências legais. Em vídeo publicado nas redes sociais, os responsáveis detalharam toda a estrutura e documentação envolvidas na realização da festa, reforçando que não havia irregularidades que justificassem o encerramento antecipado.
Segundo os organizadores, a festa possui histórico consolidado em Divinópolis, sendo realizada desde 2019 com foco na integração universitária. Eles explicaram que o evento acontece duas vezes por ano e sempre foi planejado para o período da tarde justamente para evitar problemas relacionados à perturbação do sossego. Nesse contexto, destacaram que o horário, das 16h às 23h, foi definido estrategicamente, diferentemente de outros eventos realizados no mesmo espaço que avançam pela madrugada.
No relato, afirmaram que toda a documentação exigida havia sido providenciada previamente, incluindo alvará da Prefeitura, Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), licença sanitária, além do recolhimento de tributos como o ISS.
Os responsáveis também ressaltaram que o evento contava com uma estrutura considerada completa, incluindo equipe de segurança credenciada, ambulância, atendimento médico e até suporte psicológico, item que, segundo eles, não é uma exigência formal, mas foi implementado como medida adicional de cuidado com o público.
Ordem de encerramento
Sobre a abordagem policial, os organizadores relataram que os militares teriam analisado toda a documentação apresentada em busca de irregularidades. Segundo eles, não foi identificado nenhum impedimento legal para a continuidade do evento. Ainda assim, afirmam que houve insistência para redução do volume do som.
— Eles viram que não tinha nada errado, tentaram negociar com a gente, pediram para baixar o som uma vez. Baixou o som uma vez. Pediram para baixar de novo, e depois de novo, até que eles falaram: agora acaba com o evento — relataram.
De acordo com o depoimento, mesmo após atenderem às solicitações de redução do som, a ordem de encerramento foi mantida. Os responsáveis afirmaram que chegaram a resistir à decisão, alegando que o evento estava dentro da legalidade, mas acabaram cedendo diante do cenário apresentado no local, para evitar possíveis conflitos e garantir a segurança do público presente.
— A gente pensou nas pessoas que estavam no evento… eles estavam com cassetete na mão, spray de pimenta na mão e várias viaturas — afirmaram.
A organização classificou a ação como “abuso de autoridade” e afirmou que a intervenção ocorreu mesmo sem respaldo documental que justificasse o encerramento. Também relataram que um dos responsáveis foi conduzido à delegacia, onde permaneceu por horas para assinatura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), situação que, segundo eles, também gerou questionamentos quanto à condução do procedimento.
Repercussão
A interrupção da festa gerou forte repercussão nas redes sociais, evidenciando a divisão de opiniões. Parte dos comentários apoiou a atuação da Polícia Militar, citando incômodo com o volume do som e críticas ao conteúdo das músicas reproduzidas.
Por outro lado, diversos usuários questionaram a decisão, destacando que o evento ocorria em horário considerado adequado e com documentação regular. Também foram levantados questionamentos sobre a adoção de medidas semelhantes em outros eventos no Parque de Exposições, especialmente aqueles que se estendem até a madrugada.
O caso também motivou posicionamento do vereador Vitor Costa (PT), que solicitou explicações formais à Polícia Militar. Ele afirmou ter tido acesso aos alvarás apresentados pela organização, que indicariam a regularidade do evento, e destacou a necessidade de esclarecimento sobre os critérios adotados na intervenção.
Em sua manifestação, o parlamentar também demonstrou preocupação com a justificativa relacionada ao conteúdo musical, afirmando que o funk é uma expressão cultural legítima e não deve ser utilizado isoladamente como motivo para encerramento de eventos.
O vereador ainda ressaltou a importância de iniciativas voltadas à juventude, apontando a carência de opções de lazer na cidade e o impacto econômico gerado por eventos desse tipo, que movimentam a economia local e oferecem oportunidades de trabalho.

