Uma mulher de 62 anos foi resgatada de uma situação de exploração no trabalho doméstico em um condomínio de luxo em Eusébio, região metropolitana de Fortaleza. Ela prestava serviços para a mesma família havia 55 anos, passando por três gerações diferentes.
O resgate aconteceu no fim de junho, depois de uma denúncia anônima ao Disque 100. Auditores fiscais do trabalho e a Secretaria de Direitos Humanos do Ceará constataram que ela nunca teve carteira assinada nem direitos trabalhistas garantidos.
Começo da história
A história começou ainda na infância dela, nos anos 1970, quando passou a fazer serviços domésticos aos 7 anos de idade. Com o tempo, “passou” de geração em geração dentro da mesma família, como se fosse parte da herança.
Tratamento
Mesmo após o resgate, ela continua morando na casa. Segundo as autoridades, tirá-la do local de forma repentina poderia causar mais sofrimento, já que existe uma dependência emocional e financeira construída ao longo de décadas. A ideia é reconstruir aos poucos os laços com a família biológica dela.
Justiça
A Justiça do Trabalho fechou um acordo com a família que prevê pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias, compra de uma casa mobiliada no valor de R$ 150 mil e regularização da aposentadoria dela.
A dona da casa, que ocupava um cargo na Prefeitura de Fortaleza, foi exonerada do posto. A defesa da família admite as irregularidades trabalhistas, mas nega qualquer situação análoga à escravidão.
Consequências
O caso ainda pode gerar consequências criminais: o relatório da fiscalização será enviado à Polícia Federal. Segundo especialistas, a trabalhadora teria direito a cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações pelo tempo não pago.

