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Cerca de 10% da população é dependente de cigarros

by Portalagora

 

Flávio Flora

 

Cinzas no chão, roupas queimadas, tosse cheia, cinzeiros fedorentos, fumaça atraindo olhares condenatórios. Este é o cenário comum aos fumantes. Todos os anos, desde 1987, a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelos quatro cantos do mundo, vem insistindo para que o fumante deixe o cigarro e evite assim os males à sua saúde.

Também a cada ano, um grande número de fumantes promete que vai parar de fumar (especialmente em dezembro) e deixa a promessa de lado nos primeiros dias do ano.

— A promessa se esvai junto com a fumaça e se perde em um misto de prazer e culpa — relata um ex-fumante de dois maços por dia e dedos amarelados, que conseguiu parar.

 

Fuga dos problemas

 

Segundo o cardiologista Marcel Coloma, responsável pelo grupo de tratamento de tabagismo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, em geral, o uso do cigarro está relacionado à fuga dos problemas e do estresse do dia a dia. E nesses casos, é melhor esperar um pouco, antes de iniciar o tratamento de parar, se o fumante estiver passando por momentos extremos de ansiedade ou tensão.

— O fumante tem mais dificuldade de parar de fumar quando está mais estressado, mais ansioso. Nem recomendamos que ele pare no momento em que a situação dele está muito difícil, é preferível melhorar um pouco o lado psicológico para depois tentar parar de fumar — sugere Coloma.

 

Mortes evitáveis

 

O tabagismo é considerado pela ONU como a principal causa de morte evitável no mundo. São seis milhões de mortos por ano, em decorrência do cigarro. Mais de 600 mil vítimas são fumantes passivas (que convivem com a fumaça de fumantes). Até 2030, se não houver maior conscientização geral, esses números chegarão a 8 milhões.

Em razão das campanhas antitabaco, das proibições de fumar em recinto aberto ao público (comercial ou não) e do aumento nos preços dos cigarros, no Brasil, o número de fumantes reduziu em 20% desde os anos 1980. Mesmo assim, ainda ocorrem mais de 200 mil mortes anuais (23 por hora) por causa do vício do tabaco. Hoje, 25 milhões de brasileiros adultos são fumantes (cerca de 10% da população), segundo dados do Instituto Nacional do Câncer.

 

Política pública

 

Um estudo da ONU, divulgado ontem, defende que políticas antitabagismo, como taxação e aumento do preço do cigarro, podem gerar “economia significativa” para os governos em saúde e produtividade.

Segundo o estudo, o tabagismo custa mais de U$ 1 trilhão por ano em gastos com saúde e perda de produtividade. O custo estimado supera amplamente as receitas globais com os impostos sobre o fumo que, segundo a OMS, foram de cerca de US$ 269 bilhões em 2013 e 2014.
Hoje, 1,1 bilhão de pessoas com mais de 15 anos são fumantes. Destes, 226 milhões vivem em situação de pobreza.

 

Mentir a si mesmo

 

Cânceres de pulmão, boca, esôfago, laringe, faringe e doenças coronarianas estão entre as mais de 50 doenças relacionadas ao tabagismo, mas o fumante mente a si mesmo.

— A maior mentira de um fumante é achar que não vai acontecer nada com ele, que os males só acontecem com os outros. Eu juntaria ainda outra mentira, que é daquele que diz que vai parar quando quiser. Na verdade, não é bem assim, ele é um dependente, acha que para quando quer, mas não para — analisa Marcel Coloma.

 

 

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